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DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR UNIVERSITÁRIO: ANÁLISE DAS
ESTRATÉGIAS PARA DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO,
HABILIDADES, ATITUDES, VALORES E ENTREGA UTILIZADAS NAS
MODALIDADES PRESENCIAL E A DISTÂNCIA OFERECIDAS NA
UNIVERSIDADE PÚBLICA NO RIO DE JANEIRO
TEACHING IN HIGHER EDUCATION: ANALYSIS OF STRATEGIES FOR
DEVELOPING KNOWLEDGE, SKILLS, ATTITUDES, VALUES AND DELIVERY
USED IN FACE-TO-FACE AND DISTANCE LEARNING MODALITIES OFFERED
AT THE PUBLIC UNIVERSITY IN RIO DE JANEIRO
Cátia Regina França de Sousa Gaião e Silva
1
Universidad de Desarrollo Sustentable (UDS) - Paraguay
RESUMO
A Educação a Distância (EaD) revigorou-se nesta última década em função do surgimento das
novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) mediadas por computadores em rede,
mais precisamente com a popularização da Internet. Entretanto, é de suma importância para o
sucesso do processo ensino aprendizagem a forma ideal no estabelecimento da relação
professor-aluno, considerado relevante para o bom aproveitamento escolar. Para entender o
papel do professor neste contexto, torna-se imprescindível a definição do papel docente e o
estabelecimento das diferenças e/ou complementaridades entre a modalidade de educação a
distância e ensino presencial. Por isso, o presente trabalho tem por objetivo verificar se as
competências do professor-tutor e do professor presencial são as mesmas ou se diferenciam
conforme o ambiente de ensino-aprendizagem escolhido na atuação em um Curso Superior na
modalidade EaD e Presencial em uma universidade pública do município do Rio de Janeiro.
Para a realização desta pesquisa foi utilizado como técnica de análise os mapas de associação
de ideias. Os sujeitos que participaram dessa investigação foram professores presenciais e
professores-tutores que atuam, tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância. O
instrumento de coleta de dados empregado nesta pesquisa foi a entrevista semiestruturada e o
1
Doutora em Ciências da Educação. Universidad de Desarrollo Sustentable UDS.
profa.catiarfranca@yahoo.com
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método de análise foi qualitativo.
Palavras-chave: Conhecimento, habilidades, atitudes, valores e entrega; Professor presencial;
Professor-tutor; Modalidade presencial; Modalidade à distância.
ABSTRACT
Distance Education (EaD) has been reinvigorated in the last decade due to the emergence of
new Information and Communication Technologies (ICT) mediated by networked computers,
more precisely with the popularization of the Internet. However, the ideal way to establish the
teacher-student relationship is extremely important for the success of the teaching-learning
process, considered relevant for good academic performance. To understand the role of the
teacher in this context, it is essential to define the teaching role and establish the differences
and/or complementarities between distance education and face-to-face teaching. Therefore, the
present work aims to verify whether the competencies of the tutor-teacher and the face-to-face
teacher are the same or differ depending on the teaching-learning environment chosen when
working in a Higher Education Course in the distance learning and face-to-face modality at a
public university. from the city of Rio de Janeiro. To carry out this research, idea association
maps were used as an analysis technique. The subjects who participated in this investigation
were face-to-face teachers and teacher-tutors who work, both in face-to-face and distance
learning. The data collection instrument used in this research was the semi-structured interview
and the analysis method was qualitative.
Keywords: Higher education; Knowledge, skills, attitudes, values and delivery; In-person
teacher; Teacher-tutor; In-person modality; Distance mode.
1. INTRODUÇÃO
Muitas discussões acadêmicas apontam maneiras de como a ação pedagógica precisa ocorrer
no processo de ensino-aprendizagem, elencando as competências que o docente carece
desenvolver para desempenhar sua profissão com eficiência e eficácia. E as discussões são
dinâmicas, na medida em que o termo competência tem mudado ao longo da história. Muitas
das suas dimensões, antes desconsideradas, hoje são tidas como imprescindíveis: a dimensão
cognitiva, a social e a afetiva devem ser lembradas na formação e no exercício profissional
docente.
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Assim, evidenciam-se novas possibilidades de acesso à educação, cuja presença do docente e
dos alunos não se mais fisicamente, em um espaço determinado como a educação
presencial, mas também a aprendizagem no espaço virtual. Neste sentido, a escola e sua ação
pedagógica, representadas na figura docente, necessitam evoluir continuamente. Isso requer que
o docente, no espaço virtual, não perca de vista a necessidade de articular sua prática presencial
com a virtual, a fim de superar o antagonismo aparente entre essas duas práticas.
Compreende-se que o ambiente da sala de aula virtual deve reapropriar-se da educação com
uma nova postura, tanto do professor quanto do aluno. Docentes e discentes necessitam utilizar
esse espaço com a consciência de que está em um novo contexto social. Consequentemente, as
formas de atuação e participação no processo educacional precisam ser transformadas.
Nesse leque indaga-se: será que o desenvolvimento das competências do docente na
modalidade a distância diverge do desenvolvimento das competências do docente na
modalidade presencial? A Educação a Distância (EaD) é uma modalidade de ensino e de
aprendizagem que possibilita realizar os estudos transcendendo o tempo em espaços
diversificados. Sendo assim, parece imprescindível que o docente busque metodologias,
recursos e materiais, objetivando práticas educacionais, métodos educacionais, concepções de
material didático, relações humanas e relações com o conhecimento.
Como a intenção desse estudo é compreender as competências como um somatório de
conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e entrega que o professor-tutor precisa apresentar
na modalidade de ensino a distância, em comparação com o professor presencial, fica a
indagação que gerou a realização deste estudo:
“É possível que no ensino superior nas modalidades presencial e a distância, a atuação do
professor seja diferente?”
2. OBJETIVOS
O objetivo geral desta pesquisa é analisar as estratégias para o desenvolvimento do
conhecimento, habilidades, atitudes, valores e entrega utilizadas nas modalidades presencial e
a distância oferecidas em uma universidade pública. Os objetivos específicos são os seguintes:
Examinar a legislação vigente no ensino superior para o exercício docente.
Identificar as estratégias utilizadas na docência do ensino superior nas modalidades
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presencial e à distancia.
Diferenciar o desenvolvimento do conhecimento, habilidades, atitudes, valores e
entrega do professor presencial e do professor-tutor no processo ensino aprendizagem;
Apontar os requisitos necessários na atuação do professor presencial e do professor-
tutor para a docência no ensino superior.
Discriminar no ensino superior a atuação do professor no exercício docente na
modalidade presencial.
Discriminar no ensino superior a atuação do professor-tutor no exercício docente na
modalidade à distancia.
3. REFERENCIAL TEÓRICO DA PESQUISA
3.1. PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA MODALIDADE EaD
Ao discorrer sobre o processo ensino-aprendizagem na modalidade a distância faz-se necessário
apontar o papel do docente e as novas designações dadas a ele, frente às novas tecnologias da
informação e de comunicação. Atualmente, o docente passou a ser designado de “monitor”,
“facilitador”, “tutor”, etc., em múltiplos sentidos, portanto, entender a própria designação do
professor na Educação a Distância é necessário atentar as palavras de Maia (2010, p. 1), que
afirma que:
A EaD traz em si uma revolução nos paradigmas educacionais atuais, à medida que apresenta
diversas oportunidades para as Instituições de Ensino Superior (IES) [...] e, além disso,
proporciona novas formas de interação e comunicação entre instrutores e alunos. No ambiente
profissional, em especial na Educação a Distância, o desenvolvimento científico e tecnológico
atual tem impulsionado uma geração de mudanças, que tem demandado profissionais mais
adaptáveis às mudanças e motivados a um aprendizado contínuo ao longo de suas vidas
(STRUCHINER & GIANNELLA, 2005).
A comunicação é imprescindível no processo ensino-aprendizagem, seja na educação
presencial ou na educação a distância. Assim, a concepção de Fusari (1993, p. 112) sintetiza
que:
É preciso que o professor saiba comunicação humana (em geral e escolar) e
saiba fazer mobilizar nos cursos e aulas uma comunicação de mundo, da
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melhor qualidade, de um modo inventivo na especificidade da educação
escolar. E mais: saiba contribuir para que seus alunos também se apropriem
dos aspectos essenciais desses conhecimentos a respeito da comunicação
articulados aos demais. Tais conhecimentos vinculados a fins educacionais
incluem aspectos fundamentais críticos, sobre as relações comunicacionais na
elaboração de produtos de comunicação, em geral, escolar e na interatividade
pessoal com os já produzidos por outras pessoas ou profissionais.
Para Almeida (2003), o uso da Tecnologia de Informação e de Comunicação (TIC) e a Educação
a Distância (EaD) justapõem elementos, até então não considerados conciliáveis à primeira
vista, tais como: digital e analógico, interior e exterior, proximidade e distância e até mesmo a
possibilidade de afeto. Para o autor, não é a presença física na sala de aula que assegura o
desenvolvimento do afeto entre docentes e discentes no processo educativo. Isso não significa
que a relação de afetividade seja considerada no espaço presencial, mas como aponta Almeida
(2003, p. 69):
São raras as vezes em que o professor presencial, mesmo convivendo
diariamente com seus alunos [...] consegue tomar conhecimento da presença
dos alunos em classe. Isso porque, na modalidade presencial, ainda se mantém
uma prática tradicional de ensino, na qual a interação entre os sujeitos do
processo -se em termos superficiais ou quase nulos, ainda que a
proximidade física possa oferecer o contrário.
Dessa forma, é imprescindível refletir e construir, no âmbito da EAD, acerca de referenciais
teóricos, metodológicos e epistemológicos que favoreçam a construção de uma educação sem
distância. Assim, é necessário estar ciente que o potencial interativo das tecnologias de
comunicação e informação (TIC) pode ser um grande aliado desse processo.
Nessa perspectiva, entende-se que a EAD tem características específicas. Isso não significa
concebê-la como uma modalidade de mero distanciamento entre professor e aluno, durante o
processo do ato educativo, mas sim, defini-la como uma prática social de natureza cultural
valiosa e atrelá-la ao contexto de experiência educativa no mundo contemporâneo (LOBO
NETO, 2000).
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3.2. DEFINIÇÕES E CONTEXTO DA EAD
A Educação a Distância tem sido uma prática educativa, ou seja, uma prática de interação
pedagógica, cujos objetivos, conteúdos e resultados obtidos identificam-se com aqueles que
constituem, nos diversos tempos e espaços, educação como projeto e processo humano,
histórico e politicamente definido na cultura das diferentes sociedades (KEEGAN, 1991).
Qualquer que seja a forma e o meio de realizar o processo educacional, presencial ou a distância,
o papel das mídias se tornou essencial para a eficácia e qualidade da educação, possibilitando
múltiplas formas de tratar o conhecimento e criar ambientes mais dinâmicos de aprendizagem.
Assim, a tecnologia de base digital passa a complementar a nova forma de educação, devido a
haver, além do acompanhamento online do aluno, a assistência no polo a distância, o que
substitui a assistência regular do professor na chamada aula presencial (SILVA, 1998).
Nesse contexto, Hoffman e Mackin (1996) defendem que a incorporação crescente das novas
tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) ao processo ensino-aprendizagem vem
tornando-a mais extensiva em público e audiência, rompendo barreiras culturais, de língua, de
espaço geográfico, de tempo, tanto quanto vem dinamizando os modos de ensinar e aprender,
de realizar as interações necessárias entre aprendiz/interface.
Assim, muitas são as possibilidades de oferta na EaD, entre elas estão o material impresso
(livros, manuais, apostilas), rádio, televisão, telefone, correi postal, correio eletrônico, fax até
aos simuladores online, em redes de computadores, avançando em direção à comunicação
instantânea de dados, voz, voz e imagem, via satélite ou por cabos de fibras óticas.
Além disso, os satélites de comunicação e as redes de computadores oferecem inúmeras
possibilidades para criar, armazenar, distribuir, apresentar informações, motivar, interagir e
estabelecer relações no âmbito da mediação pedagógica. Com isso, o estudante e o professor
interagem mediante os meios de comunicação disponíveis, enquanto a relação entre os
aprendizes está dispersa, devido a razões de posição geográfica (MATA, 1995).
Cabe à escola e à tecnologia educacional adaptar-se e inserir-se neste processo de
“revirtualização” do conhecimento, que vai além da linguagem oral e escrita, dos recursos do
giz, do quadro negro e do livro didático. “A nossa cultura atual dominante é impregnada de
uma nova linguagem, a da televisão e da informática, particularmente a linguagem da Internet”
(GADOTTI, 2000, p. 12).
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Devido a inclusão da linguagem eletrônica ser importante, logo, é fundamental que os docentes
transformem suas ações pedagógicas, entretanto, cabe a ele levar o aluno a pensar criticamente
sobre essa questão.
No contexto das comunidades virtuais, Harasim (et al 2005) informa que educadores e
aprendizes terão que reaprender seus papéis para readaptarem-se a um processo de aprendizado
mais adequado ao ambiente virtual, ou seja, o aprendizado colaborativo. Por isso, Maia (2010,
p. 4), assinala que:
No novo modelo de ensino e aprendizagem, no contexto da inovação para o
alcance do sucesso, o foco principal é a motivação dos alunos, em que ela deve
ser extrínseca, a partir do contexto em que o indivíduo está inserido, e,
intrínseca, a partir do interior do indivíduo, de seu pensamento ou desejo.
Assim, a participação do aluno no processo de aprendizagem é necessária. Sendo fundamental
a criação de métodos intrínsecos motivadores de ensino, tornando-se assunto urgente nesse
novo contexto escolar. Logo, é imprescindível que o docente em EAD organize situações de
aprendizagem, logo planeje e proponha atividades, atue como mediador e orientador, forneça
informações relevantes, incentive o aluno a buscar fontes de informações, gere reflexão e
experimentação sobre processos e produtos, favoreça a formalização de conceitos e uma
aprendizagem significativa.
Ainda segundo Maia (2010), na nova concepção de ensino e aprendizagem será necessária uma
mudança na metodologia de ensino, na qual o aprendizado deverá ocorrer baseado no
computador com uma tecnologia centrada no aluno e informa que quatro fatores deverão
apressar a substituição da educação presencial para EaD para aqueles que necessitam recorrer
a essa modalidade de ensino, nas quais são: o aprendizado pelo computador, porém lembrando
que ele continuará sempre sendo aperfeiçoado; a transição da tecnologia baseada em
computador passar a ser a centrada no aluno; uma perceptível escassez de professores e os
custos que terão significativa redução, à medida que a escala do mercado crescer.
A mesma autora informa também que o docente precisa compreender o computador como
máquina de produção intelectual porque nele produzem-se textos, imagens e também opera
cálculos em grande quantidade e com rapidez, conforme abaixo (MAIA, 2010, p. 3):
A pedagogia moderna afirma que o aluno deve ser estimulado a buscar
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soluções em grupo, por meio dos recursos de interação, para que se estimulem
competências tais como as capacidades cognitivas de avaliação, análise,
síntese, e não mais a simples memorização do conteúdo. Essa ideia foi
proposta anteriormente por diversos autores, entre eles Piaget, Vygotsky e
Freire, que afirmam que o que caracteriza a aprendizagem é o movimento de
“um saber fazer” para “um saber”, o que não ocorre naturalmente, mas por
uma abstração reflexiva, processo pelo qual o indivíduo pensa o processo que
executa e constrói algum tipo de teoria que justifique os resultados obtidos.
Em suma, pode-se afirmar que a modalidade a distância surgiu para promover não a
aprendizagem e a formação, mas a compreensão do conhecimento pela motivação, pelo
interesse e necessidades de cada aluno em particular, além do desenvolvimento da capacidade
de comunicação e da valorização do outro e de si próprio, a certeza que é capaz uma
aprendizagem significativa a distância.
3.3. PROFESSOR PRESENCIAL E O PROFESSOR-TUTOR
No contexto educacional, o professor deveria perceber que o mundo atual exige, cada vez mais,
de sua prática docente transformar as informações em conhecimento. O processo histórico
cultural constrói meios de interação humana e social que necessitam de que as informações
sejam transformadas em opiniões, para que os docentes possam melhor entender o mundo e,
assim, compreender melhor seus discentes.
Percebe-se que a maneira mais adequada de partir para uma ação docente eficaz é fazer com
que o cotidiano das práticas docentes seja iluminado pelos diferentes campos do conhecimento,
devido à complexidade que o ato educativo exige. A educação, em sua amplitude, deveria ter
como finalidade tornar o homem mais íntegro, logo, carece lhe fornecer meios de
aplicabilidade, de todo cabedal de conhecimento adquirido no espaço educacional, em seu dia
a dia (MELLO, 2008).
Dessa forma, a educação escolar, nos dias atuais, não deveria apenas transmitir conhecimentos
aos seus alunos, deveria se preocupar com a formação global, na intenção deles agirem como
cidadãos transformadores, reflexivos e autônomos.
Para melhor entendimento, pautado em Belloni (2001, p. 83), identifica-se no quadro abaixo, a
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comparação do papel do professor presencial para o professor na EaD:
Quadro 4: Comparação do papel do profesor.
PROFESSOR
PRESENCIAL
PROFESSOR NA EAD
MESTRE (que controla as aulas)
PARCEIRO (prestador de serviços quando o aluno sente
necessidade ou conceptor, realizador de materiais
se atualiza em sua área
específica
Atualização constante, não só de sua disciplina
Passar do monólogo sábio de sala
de aula
Para o diálogo dinâmico dos laboratórios, salas de meios, e-
mails, telefone, etc
Do monólogo do saber
Para a construção coletiva do conhecimento, através da
pesquisa
Do isolamento individual
Aos trabalhos em equipes interdisciplinares complexas
Da autoridade
À parceria
Formador orienta o estudo e a
aprendizagem, ensina a pesquisar,
a processar a informação e a
aprender
Pesquisador reflete sobre sua prática pedagógica, orienta e
participa da pesquisa de seus alunos
Fonte: Belloni (2001, p. 83).
Campos & Amaral (2007) indicam quatro competências exigidas para ao professor-tutor
durante o processo ensino-aprendizagem, que são a atenção, a clareza, a visão sistêmica e a
resiliência. Para eles, essas competências são complementares e fundamentais para que as
demais possam fluir de forma natural. A seguir, descreve-se cada uma delas (p. 21):
Quadro 6: Competências para a tutoria eficaz
Atenção
O processo ensino-aprendizagem na EaD necessita que o professor-tutor desenvolva uma
nova forma de percepção.
Precisa saber ler e interpretar os sinais que estão presentes nas interações que se produzem.
Silêncios, ausências, atrasos precisam de uma ação imediata por parte do professor-tutor
para que sejam esclarecidos os seus motivos e as soluções apresentadas.
Participações, contribuições, colaborações carecem, da mesma forma, de uma ação precisa
do professor-tutor, a fim de que elas se fortaleçam e possam ser partilhadas de forma
também rápida.
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Clareza
A clareza nas interações através das mensagens e comunicações que se estabelecem entre
professores-tutores e alunos traz maior segurança e organização para os estudos.
É a clareza com que o professor-tutor conduz suas ações que elimina os desvios na
comunicação e economiza tempo precioso.
O professor-tutor deveria ter discernimento dos efeitos que suas mensagens produzem no
coletivo e nos indivíduos.
Visão
sistêmica
O processo de tutoria exige conhecimento profundo de todo o contexto, não apenas
referente ao ambiente do curso, mas também ao ambiente onde o aluno está inserido.
O professor-tutor deveria conhecer e considerar as diversas variáveis ambientais que podem
atingir os alunos e ser motivo de silêncios, ausências e atrasos.
É o conhecimento dessas variáveis e de suas implicações em todo o sistema que dará ao
professor-tutor relevância nas soluções que propuser.
Resiliência
O processo de tutoria exige do professor-tutor capacidade de atuar de forma que se
mantenha a essência dos objetivos do curso mesmo sob a intensa pressão de variáveis
previsíveis ou não.
O professor-tutor deveria imprimir flexibilidade às suas ações de tal maneira que possa
responder às demandas diversificadas sem se afastar do eixo central estabelecido pelo curso.
É preciso abertura para encampar sugestões e fazer correções de percurso sempre que forem
pertinentes e firmeza para preservar as diretrizes metodológicas.
Fonte: elaboração da autora fundamentada em Campos & Amaral (2007).
4. CONHECIMENTOS
Dentro do contexto dos conhecimentos, foram considerados nesse estudo a Formação e
Qualificação e Conhecimento Tecnológico como pontos necessários para o desempenho do
papel do professor, a fim de que o docente desenvolva competências. As competências podem
ser entendidas como a capacidade de uma pessoa hábil, de agir de maneira eficaz diante de uma
determinada situação, que utiliza os conhecimentos que traz em sua bagagem pessoal, mas sem
limitar-se exclusivamente a eles (MELLO, 2008).
Ser competente significa mobilizar os recursos cognitivos, entre os quais estão os
conhecimentos adquiridos anteriormente. Isto é, demonstrar pelas atitudes, respostas inéditas,
criativas, inovadoras e eficazes para novos problemas que surgem no dia a dia (PERRENOUD,
2002).
Para o bom desempenho do papel de professor-tutor é necessário identificar um referencial de
competências, cujas capacidades e os saberes adequados partem de um trabalho real. Um
referencial de competências está na identificação das capacidades e dos saberes necessários,
em um plano de formação organizado em torno das competências, uma aprendizagem por
problemas, um procedimento clínico, articulação entre a teoria e a prática, uma organização
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modular e diferenciada, avaliação formativa baseada na análise do trabalho, tempos e
dispositivos de integração e de mobilização das aquisições, parceria negociada com os
profissionais e divisão dos saberes favorável à sua mobilização no trabalho.
Freire (1993) sinaliza que o papel do educador é de eterno pesquisador, porque assim ele
será capaz de tornar-se um eficaz e interessado divulgador de conhecimentos históricos e
criticamente construídos, coletivamente. Por conseguinte, a compreensão de educar está na
aplicação de conhecimentos que venham contribuir para o avanço das condições social,
econômica e política.
Segundo Perrenoud (2002, p. 16), “as orientações básicas sobre a formação de professores
dependem, sobretudo, de sua concepção”. Mais especificamente, critérios que devem ser
considerados, como a transposição didática baseada na análise das práticas e em suas
transformações. A figura do professor ideal, segundo Perrenoud (2002, p.14) deve ser
visualizada, conforme a seguir:
No duplo registro da cidadania e da construção de competências. Para
desenvolver a cidadania adaptada ao mundo contemporâneo, o perfil
adequado deveria ser ao mesmo tempo o de uma pessoa confiável; um
mediador intercultural; um mediador de uma comunidade educativa; um
organizador de uma vida democrática; um transmissor cultural e um
intelectual. No registro da construção de saberes e competências, cita-se um
professor que deveria ser organizador de uma pedagogia construtivista;
garantidor do sentido dos saberes; criador de situações de aprendizagem;
administrador de heterogeneidade e regulador dos processos e percursos de
formação.
Atualmente, os cursos superiores na modalidade a distância estão se expandindo, requerendo
dos profissionais que fazem parte dele sejam altamente qualificados, tanto os professores-
tutores, os professores presenciais que atendem no polo quanto os professores conteudistas, que
sejam capazes de selecionar e preparar todo o conteúdo curricular, definir bibliografia, elaborar
material didáticos, etc., dessa forma demonstrando seus conhecimentos.
Assim, os docentes deveriam ter formação e qualificação acadêmica e conhecimento
tecnológico, pois teriam condições de desenvolver um trabalho pedagógico que possibilite a
78
aprendizagem e desenvolvimento do aluno. “Para isto, é necessário que se reciclem e se
atualizem e que as IES, também, façam parte desta iniciativa, criando uma política de
capacitação e atualização permanentes destes profissionais” (FREITAS, 2009, p. 9). Essa
situação implica em uma necessidade por parte das IES de mão de obra mais qualificada.
Nesse entendimento, Barreto (2003) sintetiza oito competências para o professor-tutor, dentre
elas destacam-se, abaixo, quatro competências ligadas aos conhecimentos necessários ao
desempenho da função, que são, a saber:
Ser autônomo na busca da informação e crítico, na transformação dessa informação em
conhecimento;
Ser autor, participando construtivamente deste conhecimento e articulando-o na rede;
Saber usar e articular meios, métodos e tecnologias;
Saber utilizar a dinâmica da rede, em projetos interativos de aprendizagem colaborativa.
Nesse contexto, os Referenciais de Qualidade do MEC para Educação Superior a Distância
(BRASIL, 2007, p. 21) define o professor-tutor como: “[...] um dos sujeitos que participa
ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e/ou
presencialmente devem contribuir para o desenvolvimento dos processos de ensino e de
aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico”. Ao mesmo
tempo, aponta dez premissas fundamentais para a função docente de qualidade, tanto para o
docente presencial que atende no polo quanto para o tutor, dentre as quais, destacam-se, abaixo,
cinco competências relacionadas aos conhecimentos, a saber:
A necessidade de estabelecerem fundamentos teóricos;
Selecionar e preparar todo o conteúdo curricular na articulação de procedimentos e
atividades pedagógicas;
Identificar objetivos referentes a competências cognitivas, habilidades e atitudes;
Definir bibliografia, videografia, iconografia, audiografia, tanto básicas quanto
complementares;
Elaborar o material didático para programas a distância.
Os Referenciais de Qualidade do MEC para Educação Superior a Distância (BRASIL, 2007),
ainda aponta que há duas funções para o docente no âmbito da educação a distância, o docente
presencial que atende no polo e o docente tutor a distância, explicados no tópico 1.4 que trata
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da Delimitação da dissertação. O docente presencial atende os alunos no polo, em horários pré-
estabelecidos, logo seu trabalho pode acontecer tanto presencialmente quanto no ambiente
virtual de aprendizagem, enquanto o docente tutor a distância está distante geograficamente do
aluno e exerce seu trabalho somente via ambiente virtual de aprendizagem, esse docente tutor
é o objeto desse estudo. Tanto o docente presencial quanto o docente tutor a distância,
necessitam dominar os conteúdos a serem trabalhados pelo curso em questão. Outro ponto que
se destaca nesse documento é que docentes presenciais e docentes tutores a distância sejam
capacitados, conheçam fundamentos da EaD e modelos de tutoria existentes, além de
conhecimentos e habilidades com as novas tecnologias de informação.
Nesse contexto, Santos et al (2005) definem as competências para docência online em quatro
categorias, técnicas e pedagógicas, gerenciais, sócio-afetivas e tecnológicas. Assim, sintetiza-
se abaixo, as categorias das competências do professor-tutor explicadas por esses autores em
relação aos Conhecimentos:
Técnicas e pedagógicas
Indicar esquemas e estratégias que facilitem a aprendizagem;
Estabelecer ligações entre teoria e prática, relacionando os trabalhos dos alunos à
literatura específica, às vivências, aos casos, contextualizando os saberes;
Sugerir possibilidades de aprofundamento dos conteúdos e indicar bibliografias;
Avaliar trabalhos, provas e a participação dos alunos, atribuindo conceitos.
Tecnológicas
Utilizar com desenvoltura as tecnologias de informação e comunicação requeridas para
a organização e condução das atividades docentes no ambiente online;
Orientar os alunos sobre os procedimentos básicos do curso a forma de submeter
trabalhos, acessar conteúdos, enviar mensagens, participar de reuniões online (chats);
Esclarecer questões sobre os materiais recebidos, sobre o uso da plataforma e das
ferramentas de aprendizagem ou encaminhá-las para a equipe de suporte técnico.
4.1. HABILIDADES
Dentro do contexto das competências, ao compreender as Habilidades, foram considerados,
nesse estudo, a Comunicação e a Influência no contexto cultural do aluno como pontos
80
necessários para o desempenho do papel do professor, a fim de que o docente desenvolva
competências.
O conceito de habilidade varia de autor para autor. Em geral, as habilidades são consideradas
como algo menos amplo do que as competências. Assim, a competência estaria constituída por
várias habilidades. Entretanto, uma habilidade não "pertence" a determinada competência, uma
vez que uma mesma habilidade pode contribuir para competências diferentes, conforme
determina o Artigo 2 da Resolução CNE/CP 3, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2002 que Institui
as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos
superiores de tecnologia, as competências são definidas em profissionais tecnológicas de
formação geral e específicas.
As competências de formação geral podem ser compreendidas como o domínio de linguagens,
a compreensão de fenômenos, a construção de argumentações, a resolução de problemas, a
elaboração de propostas e desenvolvimento de equipes, entre outras e específicas como a
observação do ambiente, problematizar os fenômenos, o oferecimento de soluções em função
dos problemas identificados, a viabilidade da implementação do plano e das ações e o
gerenciamento as estratégias e as ações implementadas, entre outras (PPC, 2009, p. 27).
Perrenoud (2002, p. 168) aponta as competências básicas que cabem ao professor desenvolver,
ligadas às habilidades, organização e à estimulação de situações de aprendizagem, cujo
professor:
Deveria gerar e garantir a progressão da aprendizagem e também pode refletir
sobre como isso pode ser feito. Nesse sentido, a competência do professor
pode revelar-se na transformação de uma ação educacional previamente
estabelecida em uma intervenção adaptada, frente a uma necessidade
específica emergente no contexto educacional.
Por falta de análise das competências e dos recursos que elas exigem, algumas formações
iniciais de professores levam em consideração apenas uma pequena parte dos recursos
necessários, limitando-se aos domínios dos saberes a serem ensinados e a alguns princípios
pedagógicos e didáticos gerais, mas nesse estudo considera-se com parte das competências, as
habilidades, considerando-se nesse contexto a comunicação e a influência no contexto cultural
do aluno habilidades necessárias ao trabalho da tutoria de sucesso.
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Nesse contexto, falar no desenvolvimento de competências implica dialogarmos sobre as
competências do professor educador. Para o professor desenvolver competências ele precisa
compreender e redescobrir as suas próprias competências. Precisa desenvolver a possibilidade
e habilidade de enxergar o outro, de senti-lo, de vê-lo, de avaliá-lo e de observá-lo, para que, a
partir desse processo, possa promover uma linha de ação que favoreça o crescimento de seu
aluno e promova a aprendizagem.
O desenvolvimento desse olhar para o outro também faz-se a partir do olhar-se, do observar em
si mesmo o que ocorre em seus dinamismos psíquicos, que participem de escolhas no dia a dia,
enfim, pelo processo de autoconhecimento o professor educador desenvolve-se de forma
contínua e gradualmente (PERRENOUD, 2002). E esse olhar também acontece na educação a
distância, visto que o professor-tutor interage com uma grande diversidade de alunos, de
diversas regiões e culturas e suas habilidades têm papel importante nessa interação.
Em suma, é relevante apontar que o professor educador que se profissionaliza traz, a cada
gesto, sua marca pessoal, seu próprio jeito de ser e de acreditar na vida, em suas aprendizagens
e com isso ele imprime e confere à sua identidade docente elementos vinculados a seus valores,
sua forma de situar-se no mundo, sua história de vida, representações, saberes, angústias e
anseios, como também através de suas redes de relações, influenciando assim, o contexto de
vida de seus alunos (SOUZA, 2004). É fundamental que cada pessoa se desenvolva como um
ser humano de qualidade, cujo elemento é importante nesse processo.
O papel do professor na modalidade a distância deveria ser pautado nas competências e
habilidades necessárias ao desempenho de sua função, assim, para o sucesso da aprendizagem,
ele deveria abarcar-se de um conjunto de ações determinantes para a qualidade do ensino. Uma
das responsabilidades do professor tutor na EaD é acompanhar e comunicar-se de forma
sistemática com os alunos. Maia (2003, p. 54) informa que:
um novo papel a ser exercido pelo professor e nesse novo papel o professor
deveria ser estimulador no processo aprender a aprender, que ocorre quando
se automatiza o processo de abstração reflexiva, que leva a pensar sobre o
nosso próprio pensamento, pois as tecnologias não substituem o professor,
mas permitem que algumas das tarefas e funções dos professores possam ser
modificadas, transformando, assim, o professor no estimulador do
aprendizado do aluno, gerando nele a curiosidade em conhecer, em pesquisar,
82
em buscar a informação mais relevante.
Nesse entendimento, ainda segundo Barreto (2003), que sintetiza oito competências para o
professor-tutor, destacam-se, abaixo, três competências ligadas às habilidades necessárias ao
desempenho da função, que são, a saber:
Ter visão interdisciplinar;
Ser capaz de ampliar sua visão dialógica, a ponto de promover a interatividade;
Promover e articular “situações gnosiológicas” em rede, de forma a estimular produções
de “inteligência coletiva”.
Nesse contexto, ainda os Referenciais de Qualidade do MEC para Educação Superior a
Distância (BRASIL, 2007, p. 21), que aponta dez premissas fundamentais para a função
docente de qualidade, dentre as quais destacam-se, abaixo, três premissas relacionadas às
habilidades necessárias ao docente, tanto para o presencial que atende no polo quanto para o
tutor, que são, a saber:
a) Suas atividades desenvolvidas a distância e/ou presencialmente devem contribuir para o
desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem e para o acompanhamento e
avaliação do projeto pedagógico. Especificamente, a tutoria a distância atua a partir da
instituição, mediando o processo pedagógico junto a estudantes geograficamente distantes
e referenciado aos polos descentralizados de apoio presencial.
b) tutor deveria ter a responsabilidade de promover espaços de construção coletiva de
conhecimento, selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos e,
frequentemente, faz parte de suas atribuições participar dos processos avaliativos de
ensino-aprendizagem, junto aos outros docentes.
c) Realizar a gestão acadêmica do processo ensino-aprendizagem, em particular, motivar,
orientar, acompanhar e avaliar os estudantes e avaliar-se continuamente como profissional
participante do coletivo de um projeto de ensino superior a distância.
Nesse contexto, Santos et al (2005) definem as competências para docência online em quatro
categorias, técnicas e pedagógicas, gerenciais, sócio-afetivas e tecnológicas.
Assim, sintetiza-se abaixo, a categoria das competências do professor tutor explicadas por esses
autores em relação às Habilidades:
Gerenciais
Estabelecer ou clarificar os objetivos e dinâmica das discussões.
83
Agendar ou solicitar ao suporte técnico o agendamento de atividades.
Flexibilizar prazos e modos de organização dos trabalhos, conforme as necesidades.
Encaminhar dúvidas, críticas, sugestões e problemas acadêmicos e/ou administrativos
para as instâncias competentes.
Identificar e lidar com as instâncias administrativas típicas da educação online
(professores, equipe de suporte, secretaria, designers instrucionais).
A partir do que foi elencado verifica-se que para o papel do professor-tutor na modalidade a
distância, frente às competências e às habilidades, é necessário ao desempenho de sua função
um conjunto de ações determinantes para a qualidade do curso e para o sucesso da
aprendizagem dos alunos.
4.2. ATITUDES
Dentro do contexto das atitudes, foram considerados nesse estudo o Relacionamento
interpessoal e a afetividade e a Atitude profissional como pontos necessários para o
desempenho do papel do professor, a fim de que o docente desenvolva competências.
Ao referir-se ao Relacionamento interpessoal e à afetividade, o professor tutor, mesmo no
ambiente online, necessita cultivar um relacionamento amigável e afetivo, entende-se que no
contexto da educação a distância parece haver uma incongruência nessa parte, mas o professor
precisa ser entendido pelo aluno como facilitador, colaborador e companheiro da jornada do
crescer e do transformar-se.
As capacitações devem proporcionar ao professor-tutor o exercício de perceber o papel dos
alunos para sentir como estes se sentem, quais as suas dificuldades, angústias perante os
desafios enfrentados, como desvelar-se de forma que os alunos se apropriem das mídias e dos
meios de comunicação disponíveis para o uso no curso.
Segundo Sathler (2007), cabe ao corpo docente ter como objetivo a realização de um esforço
cognitivo e afetivo. O esforço cognitivo decorre da necessidade de estruturar atividades de
interação e aprendizagem que desafiem a compreensão dos estudantes, encorajem e estimulem
formas novas diferentes de pensar. o esforço afetivo é realizado na busca de interação pessoal
com os alunos, do lançar mão de algumas estratégias de aproximação, como fornecer feedback
imediato, distinguir interações administrativas e pessoais, entrar em contato com alunos
84
regularmente. Essa abordagem de ensino requer um esforço emocional para criar um clima de
confiança e respeito, enfatizando-o com os alunos, orientá-los no conteúdo, bem como motivá-
los e apoiá-los.
No contexto da Atitude profissional, para que os docentes tutores a distância desenvolvam um
bom trabalho é desejável que eles apresentem algumas características específicas, que são:
dinamismo, criticidade, capacidade de interagir e propor interações entre os alunos.
Para finalizar as oito competências, sintetizadas por Barreto (2003), para o professor-tutor, cita-
se, abaixo, a competência ligada à atitude necessária ao desempenho da função, a saber:
Trabalhar num processo continuado de colaboração e autoprodução.
Nesse entendimento, finalizando as dez premissas fundamentais para a função docente de
qualidade que os Referenciais de Qualidade do MEC para a Educação Superior a Distância
(BRASIL, 2007, p. 21) aponta, destaca-se, abaixo, uma premissa relacionada à Atitude
necessária ao tutor, a saber:
a) A principal atribuição deste profissional é o esclarecimento de dúvidas através fóruns de
discussão pela Internet, pelo telefone, participação em videoconferências, entre outros, de
acordo com o projeto pedagógico.
Vale ressalvar que o documento denominado Referenciais de Qualidade do MEC para
Educação Superior a Distância (BRASIL, 2007) não se presta a uma discussão mais
aprofundada, pois se trata de um mimeo, categoria de documento que não é indexada, nem
bibliograficamente, nem documentalmente, não se tratando de um documento oficial, mas um
orientador das discussões em prol de uma futura proposição de políticas públicas.
Percebe-se que, pautada nos Referenciais de Qualidade do MEC para Educação Superior a
Distância (BRASIL, 2007), uma tutoria adequada é aquela em que a instituição tenha um
sistema de tutoria que leve em consideração a atuação de profissionais que preferência a
essas premissas, tanto nos encontros presenciais quanto a distância, para que o processo de
aprendizagem se torne eficaz.
Nesse contexto, para finalizar as categorias definidas por Santos et al (2005) para a docência
online divididas em técnicas e pedagógicas, gerenciais, sócio-afetivas e tecnológicas. Assim,
sintetiza-se abaixo, a categoria das competências do professor-tutor explicadas por esses
85
autores em relação às Atitudes:
Técnicas e pedagógicas
Esclarecer prontamente as dúvidas dos alunos sobre conteúdo e atividades;
Mediar as discussões, questionando e solicitando aos alunos o esclarecimento e
aprofundamento de ideias;
Fornecer feedbacks claros e detalhados das atividades e das contribuições dos alunos.
Sócio-afetivas
Estabelecer um contrato psicológico com os alunos trabalhando suas expectativas em
relação ao curso e ao processo de aprendizagem;
Manter-se afetivamente próximo e comunicacionalmente presente no espaço virtual por
meio de mensagens frequentes, de preferência em tom informal, pessoal e bem-humorado;
Apoiar e estimular a aprendizagem, por meio de mensagens de suporte que valorizem e
encorajem a participação individual e grupal, elucidando os desafios da educação on-line;
Respeitar as especificidades culturais, o estilo pessoal e as disponibilidades de cada um;
Contribuir para a criação de um ambiente amigável, dirimindo conflitos e promovendo a
interação e colaboração entre os alunos.
5. METODOLOGIA DA PESQUISA
Para a realização desta pesquisa utilizou-se o método qualitativo porque está orientado para a
análise de casos concretos, em sua particularidade temporal e local, partindo das expressões e
atividades das pessoas em seus contextos locais.
O método qualitativo permite melhor obtenção de informação para elucidar o objeto do estudo
e elaborar construtos a respeito do assunto em vigor. É um método em que os campos de estudo
não são situações artificiais em laboratório, mas sim práticas e interações dos sujeitos na vida
cotidiana. A meta da pesquisa concentra-se em descobrir o novo e desenvolver teorias
empiricamente embasadas (FLICK, 2004).
A interpretação dos dados foi realizada por meio dos mapas de associação de ideias, ou seja,
instrumentos de análise e interpretação dos dados da pesquisa. A escolha por essa técnica deu-
se devido a sua finalidade estar de acordo com a afirmação de Vergara (2006, p.157, 160), que
assim expõe: “os mapas foram concebidos com a finalidade de entender sentido como uma
86
construção dialógica, sendo que a produção de sentido é uma prática discursiva e que os
mesmos são construídos pelas pessoas, em processos de interação”. Ainda no entendimento da
autora, acima citada, “a construção de mapas -se, em geral, com base na transcrição de
entrevistas individuais e tem como principais características” (2006, p.158):
Conferir visibilidade ao processo de análise por meio da organização de dados
em estado bruto, em colunas que correspondem a categorias temáticas
definidas pelo pesquisador. [...] o método é flexível permitindo que as
categorias previamente estabelecidas possam ser redefinidas à luz dos dados.
Os mapas prestam-se tanto à organização dos dados, contribuindo para a sua
interpretação, quanto à apresentação da análise, permitindo que o leitor
acompanhe a trajetória do tratamento dos dados.
Os mapas de associação de ideias foram construídos com as seguintes categorias para análise
das respostas dos professores presenciais e professores-tutores em relação às competências:
Conhecimentos: a Formação e Qualificação e Conhecimento Tecnológico
Habilidades: a Comunicação e a Influência no contexto cultural do aluno
Atitudes: o Relacionamento interpessoal e a afetividade e a Atitude profissional
Este estudo permitiu uma aproximação com o objeto, nesse caso os docentes de uma IES na
cidade do Rio de Janeiro, a fim de compreender a ação educativa dos mesmos, tanto na sala de
aula presencial quanto na sala de aula virtual, tentando seguir as orientações de André (1995,
p. 427), que assim expressa:
Um envolvimento do pesquisador com a situação e o objeto de pesquisa uma
vez que não se trata apenas de descrever a situação de forma fria e objetiva,
mas sim, de compreendê-la através das lentes daquelas que aí vivem e atuam.
Espera-se do pesquisador que ele muito além do observável, captando
significado e intenções e buscando assim explicações que escapam à lógica do
simples observador.
5.1. SUJEITOS DA PESQUISA
Os sujeitos que participaram dessa investigação foram 8 professores presenciais e 8
professores-tutores que atuam tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância, em uma
IES na cidade do Rio de Janeiro.
87
O corpo docente do referido curso é composto por professores mestres e doutores que
desempenham um papel profissional responsável pela orientação e acompanhamento dos
estudantes nos processos pedagógicos, presenciais ou a distância, referentes à disciplina do
curso em que atuam.
Para a investigação sobre os sujeitos utilizou-se o seguinte instrumento metodológico,
conforme quadro a seguir:
Quadro 7: Investigação sobre os profesores.
Objeto
investigado
Professor
Presencial
Professor
Presencial/Tutor
Pesquisa
teórica e
empírica
X
X
Instrumentos
Entrevista
semiestruturada para
analisar o papel do
Professor Presencial
Entrevista semiestruturada
para analisar o papel do
Professor Presencial e do
Professor-Tutor
Sujeito
4 Professores
Presenciais da
instituição
8 Professores Presenciais e
Professores-Tutores da
instituição
Fonte: elaboração da autora.
5.2. INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS DA COLETA DE DADOS
O instrumento empregado nesta pesquisa foi uma entrevista semiestruturada com questões que
versaram sobre a o perfil do entrevistado a percepção dos mesmos sobre a pergunta “o que é
ser um bom professor?” A preferência pela entrevista semiestruturada fundamentou-se nas
palavras de Triviños (1986, p. 138) que julga entrevista como:
Os instrumentos mais decisivos para estudar os processos e produtos nos quais
está interessado o investigador qualitativo e que considera a participação do
sujeito como um dos elementos de seu fazer científico, apoia-se em técnicas e
métodos que reúnem características sui generis, que ressaltam sua implicação
e da pessoa que fornece informação [...] e tem por objetivo básico abranger a
máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo.
88
E assim prossegue o mesmo autor (TRIVIÑOS, 1986, p. 152):
[...] mantém a presença consciente e atuante do pesquisador e, ao mesmo
tempo, permite a relevância na situação do ator. Esse traço da entrevista
semiestruturada [...] favorece não a descrição dos fenômenos sociais, mas
também sua explicação e a compreensão de sua totalidade, tanto dentro de sua
situação específica como de sua atuação de dimensões maiores.
Este estudo teve como limite a compreensão das competências do professor, não cabendo aqui
dissertar sobre materiais, infraestrutura, métodos e ferramentas utilizados para o exercício da
função. Assim, os questionamentos a serem elucidados, através das entrevistas com os docentes
presenciais e tutores que ministram as disciplinas na IES estudada em um Curso Superior foram
a respeito das competências do docente.
As entrevistas individuais foram conduzidas pelo pesquisador e aplicadas por meio de um
questionário com oito (8) perguntas, sendo sete (7) perguntas relacionadas ao perfil do
entrevistado e a oitava e última pergunta relacionada à percepção dos professores sobre “o que
é ser um bom professor”.
A coleta dos dados foi dividida em duas partes para melhor entendimento da análise. As partes
foram as seguintes:
1ª Primeira parte da coleta de dados
A primeira parte das perguntas teve por objetivo identificar o perfil do entrevistado, tanto para
o professor presencial quanto para o professor-tutor. As perguntas estão relacionadas às
seguintes inquirições:
Idade
Sexo
Formação
Tempo de magistério dentro da IES ou fora dela
Se fez curso para formação de professor, tanto presencial quanto para EaD
Se fez atualizações nos últimos 5 anos
Disciplinas em que trabalha/às quais leciona
89
Após a realização da primeira parte da coleta de dados, os dados foram analisados e
representados em gráficos para melhor entendimento.
2ª Segunda parte da coleta de dados
A segunda parte teve por objetivo realizar um levantamento da percepção dos professores
relacionado ao papel do docente através da seguinte pergunta: O que é ser um bom professor?”
Após as entrevistas foram realizadas a transcrição e tabulação das respostas, interpretando-as
por meio dos mapas de associação de ideias. Assim, o pesquisador entendeu e capturou a
perspectiva dos respondentes, como também apreendeu o nível de emoção dos mesmos, a
maneira como organizam o mundo, seus pensamentos, suas experiências e percepções básicas.
Foram geradas 48 páginas de respostas com a aplicação do questionário, então foram dispostos
alguns aspectos das respostas dos professores presenciais e dos professores-tutores a fim de
apresentar parte dos dados obtidos. As demais informações colhidas durante as entrevistas
constam em gravações efetuadas pela entrevistadora.
6. CONCLUSÕES DA PESQUISA
A educação é uma esfera social de formação humana e, como tal, realiza-se no âmbito das
relações sociais, sendo concretizada por meio da prática humana na especificidade da esfera
educativa. Essa esfera também tem em sua dimensão o estudo das competências dos
profissionais que atuam nesse segmento, mais especificamente, nesse estudo, que teve como
intenção compreender as competências como um somatório de conhecimentos, habilidades,
atitudes, valores e entrega que o professor-tutor precisa apresentar na modalidade de ensino a
distância, em comparação com o professor presencial.
Neste sentido, buscou-se encontrar resposta para a pergunta problema que gerou a realização
desse estudo: é possível que no ensino superior nas modalidades presencial e a distância, a
atuação do professor seja diferente? e teve como objetivos específicos verificar como se
desenrola o papel do professor tutor no processo ensino-aprendizagem; averiguar quais as
competências (conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e entrega) dos professores-tutores
na sua ação pedagógica; e compreender as diferenças na qualificação formal para o exercício
docente de tutoria.
90
Assim, a análise realizada concluiu que, nas competências distintivas relacionadas aos
Conhecimentos, ao investigar-se a questão da Formação e Qualificação, verificou-se que tanto
para o professor presencial quanto para o professor-tutor esse aspecto é indistinto, pois é
imprescindível a necessidade de que os docentes tenham qualificação acadêmica e capacitação
que lhes deem condições de desenvolver um trabalho pedagógico adequado, possibilitando
maior aprendizagem e desenvolvimento do aluno. Infere-se que o reconhecimento de
competências passa pela explicitação dos saberes, das capacidades, dos esquemas de
pensamento e das orientações éticas necessárias. No que tange ao Conhecimento tecnológico
para os professores presenciais e professores tutores a questão toma contornos diferentes, visto
que é desejável que o professor presencial adquira essa capacitação, pois na execução do seu
papel ele deve ser um estimulador do processo de aprender a aprender, pois se as tecnologias
não substituem o professor, elas permitem que algumas de suas tarefas e funções possam ser
modificadas e complementem sua ação pedagógica. Entretanto, para o professor-tutor é
indispensável o conhecimento tecnológico, visto que seu trabalho se em ambiente virtuais
de aprendizagem.
Nas competências distintivas relacionadas às Habilidades, ao investigar-se a questão da
Comunicação, verificou-se que há distinção para professor presencial e professor-tutor. Para o
professor presencial é mais fácil tratar a comunicação devido a presença física em sala de aula,
visto que a comunicação acontece, também, através das expressões corporais, tom de voz,
audição, entre outros. Já para o professor-tutor a comunicação exige um esforço maior por parte
dele em ser claro e explícito ao interagir com o aluno no espaço virtual através do conhecimento
escrito, pois é através dele que a maior parte do conhecimento adquirido na educação a distância
acontece. Assim, acredita-se que para professores presenciais e tutores terem um bom
desempenho na função, em maior ou menor grau de dificuldade, eles necessitam serem bons
comunicadores, pois assim conseguirão expor conhecimentos e informações para os alunos
de forma clara, aumentando as chances do aluno aprender.
Ao investigar a questão da Influência no contexto cultural do aluno verificou-se que é unânime,
tanto para o professor presencial quanto para o professor-tutor, que ele esteja atento às
diferenças entre os alunos, porque entender as diferenças de educação e cultura é tentar
estabelecer um diálogo comum com todos os alunos, além de tentar influenciá-los em seu
contexto de vida e de educação. Mas o professor-tutor necessita ser mais cuidadoso nesse
91
aspecto, porque ele lida com pessoas de diversas regiões e culturas, com uma diversidade que
muitas vezes atravessa o país. Portanto, a construção de uma verdadeira concepção do ato de
educar é adotar como principais fundamentos, para a prática educativa, a valorização do
cotidiano do aluno e a construção de uma práxis educativa que estimule à leitura crítica do
mundo, compreendendo que a verdadeira educação é aquela que não separa, em momento
nenhum, o ensino dos conteúdos do desenvolvimento da realidade.
Nas competências distintivas relacionadas às Atitudes, ao investigar-se a questão do
Relacionamento Interpessoal e a Afetividade, verifica-se que há duas situações diferentes para
o professor presencial e professor-tutor: uma refere-se ao fato de que tanto os professores
presenciais quanto os professores-tutores necessitam ter bom relacionamento interpessoal,
precisam criar um ambiente de afetividade e motivação para trabalhar com alunos em equipe,
serem cúmplices e amigos para manter uma parceria em prol da educação. Mas a afetividade
pode ser trabalhada com mais facilidade pelo professor na aula presencial, pois a emoção, os
sentimentos e os desejos, manifestações da vida afetiva, desempenham um papel fundamental
no processo de desenvolvimento humano.
na questão das Atitudes profissionais, verificou-se que não distinção para professores
presenciais e professores-tutores, pois é relevante para ambos os papéis ser dedicado no
trabalho, comprometido, assíduo, estar com o planejamento de estudo pronto, ser empático e
flexível, responsável, mantendo sempre uma postura ética, tanto com o seu trabalho como com
a instituição em que atua, ser coaching e facilitador, paciente, resiliente, responsável e ter boa
vontade para esclarecer as dúvidas dos alunos, ter humildade, ser simples, consciente,
transparente e fomentar o interesse do aluno em ler e adquirir conhecimento e boa cultura, ter
competência, vontade, disciplina, pró-atividade, persistência e otimismo, a fim de que os
mesmos construam sua própria aprendizagem, logo, incentivar a autodeterminação no sentido
de deixá-los livres para aprender a aprender e é fundamental fazer com que eles sejam sujeitos
ativos no seu processo de conhecimento, enfim, o professor deve ser mais do que nunca um
educador.
Como objetivo geral, identificar quais as competências distintivas (conhecimentos, habilidades
e atitudes) dos docentes-tutores de um Curso Superior na modalidade a distância. Assim, a
análise realizada concluiu que as competências distintivas e de importância relacionadas aos
Conhecimentos, na visão dos professores presenciais e dos professores-tutores, são: ter
92
formação adequada ao curso que está participando, como também ter um aprimoramento
constante, ou seja, que o professor esteja sempre se atualizando, por ser essencial para a
qualidade de seu trabalho e para entender os princípios, conceitos e ideias produtoras de
conhecimento na área em que atua.
Assim, é importante para um desenvolvimento da atividade profissional que a concepção de
educação seja transformada, devido à integração da tecnologia, que consequentemente, implica
em novas competências para as práticas pedagógicas, cujo docente necessita evoluir
continuamente em sua ação pedagógica, principalmente na educação a distância, onde o
processo de ensino aprendizagem é mediado por diferentes tecnologias.
Nas competências distintivas relacionadas às Habilidades, conclui-se que os professores para
terem um bom desempenho na função necessitam de boa comunicação, pois assim
conseguirão transmitir conhecimentos e informações para os alunos de forma clara, dando
chances ao aluno aprender. Verificou-se que o diálogo é um importante aliado para que os
alunos se sintam motivados e tenham interesse pelo objeto de estudo. Os professores, tanto o
presencial quanto o tutor, acreditam que é importante influenciar positivamente o
comportamento do aluno, devendo o professor estar atento à diversidade cultural estabelecendo
um diálogo comum com todos os alunos, a fim de obter um trabalho eficaz, e dessa forma
sentirem-se gratificados por terem alcançando o reconhecimento de seu trabalho, por terem
promovido uma aprendizagem de sucesso.
Por fim, nas competências distintivas relacionadas às Atitudes, entende-se que os professores
acreditam que é importante, tanto o presencial quanto o tutor, para que aconteça um bom
relacionamento interpessoal e afetividade no exercício da profissão, o professor deve ter bom
relacionamento interpessoal, contudo, é preciso criar um ambiente de afetividade e motivação
para trabalhar com alunos em equipe; ser cúmplice e amigo para manter uma parceria em prol
da educação. É imprescindível a sensibilidade para enxergar o outro individuo, principalmente
na educação a distância, devido ao contexto de aprendizado em que o aluno se encontra distante,
logo, o professor-tutor carece estar sempre acolhendo-o através das palavras escritas, por um
ambiente de interatividade, dinâmico e organizado e facilitador no processo de
ensino/aprendizagem.
93
A conclusão principal encontrada nesse estudo é a de que o papel do professor em cursos na
modalidade de educação a distância é diferente do papel do professor no ensino presencial. E
essa diferença está explicada em detalhes no Quadro 12 sobre as Conclusões dos resultados
encontrados e de forma sintética se da seguinte forma: quanto aos Conhecimentos em relação
à Formação e Qualificação é indiferente, em relação ao Conhecimento tecnológico é diferente.
Quanto às habilidades em relação à Comunicação é diferente, em relação à Influência no
contexto cultural do aluno é indiferente; e por fim quanto às Atitudes para o Relacionamento
interpessoal e Afetividade tanto é indiferente quanto diferente; e para a Atitude Profissional é
indiferente.
Em suma, todos os atores envolvidos na prática pedagógica de EaD alunos e professores
deveriam ter competências, conhecimentos, habilidades e atitudes nimas. Dessa forma, os
professores necessitam atuar de forma qualificada para que o aluno possa desenvolver a sua
aprendizagem com êxito, enquanto os alunos carecem ser sujeitos ativos do processo de
aprendizagem. E mais, o aluno deve estar no centro do processo de ensino, necessitando ir além
da leitura e do acesso ao ambiente virtual, isto é, devendo interagir com o objeto de estudo, com
o grupo, com todas as ferramentas, tirando suas dúvidas, trocando experiências com os demais
colegas, resolvendo os desafios, publicando suas produções, enfim, comprometendo-se,
organizando-se, tendo iniciativa, autonomia e disciplina.
A estrutura de ensino da modalidade a distância necessita incentivar os alunos a desenvolverem
autonomia, independência e responsabilidade por sua aprendizagem, aumentando, assim, o
nível de exigência e com isso desencadeando um processo contínuo de busca pela melhoria da
qualidade e novas estratégias de aprendizagem, sem esquecer o quanto o diálogo e a afetividade
são importantes para o processo ensino aprendizagem.
A partir do uso das novas tecnologias de informação e comunicação é fundamental que todos
aluno e tutor lidem com a informação, cujo aprender não é mais sinônimo de memorizar,
guardar conteúdos, transmitir e obter conhecimento, mas sim utilizar recursos que permitam
acessar as informações a qualquer momento e de qualquer lugar, via Internet. Diante do
exposto, faz-se necessário a reflexão sobre a necessidade de assumir uma nova postura diante
o processo de ensino-aprendizagem, bem como o desenvolvimento de competências para a
educação a distância. Afinal, com a evolução da Internet são necessários novos profissionais
competentes para desempenharem suas funções, como o professor, pautados na criatividade, na
94
interação e na construção de conhecimentos como eixo central onde a tecnologia seja um ponto
em comum.
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