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ENSINO MAKER 3D VOLTADO AO APRENDIZADO PCD COM FOCO NO
EMPREENDEDORISMO
Hercilio Pereira Cordova
1
Colégio Estadual Professor José De Souza Marques - Brasil
Daniel De Oliveira De Souza
2
Universidade Augusto Motta (UNISUAM) - Brasil
Cristiane Dantas Motta
3
Universidade Augusto Motta (UNISUAM) - Brasil
Kátia Eliane Santos Avelar
4
Universidade Federal Do Rio De Janeiro (UFRJ) - Brasil
RESUMO
O presente artigo visa apresentar a produção de materiais educacionais com os princípios do
empreendedorismo e da tecnologia para o ensino de pessoas com deficiência (PCD). A criação
do material destinou-se para utilização nas disciplinas de Química e Geografia e para o ensino
de braile por alunos com deficiência visual e com baixa visão, da comunidade escolar do
Colégio Estadual Professor José de Sousa Marques. O processo de fabricação desses insumos
contou com uso de impressora 3D, visando proporcionar aos alunos envolvidos no projeto
conceitos de empreendedorismo aplicado à solução de necessidades do ambiente escolar, como
levantamento de custo de produção e acessibilidade do projeto em 3D. Destaca-se a relevância
pedagógica do projeto por proporcionar aos alunos uma experiência prática que incentiva a
inovação e criatividade, transformando conceitos teóricos em projetos tangíveis e aplicáveis.
Palavras-chave: Impressão 3D, empreendedorismo, PCD, braile.
1
Docente I Da Seeduc, Colégio Estadual Professor José De Souza Marques, Rio De Janeiro, Rj, Brasil.
Hercilioc@hotmail.com
2
Graduando Em Engenharia Elétrica Pela Universidade Augusto Motta (UNISUAM). Técnico Em Automação
Industrial Pela Federação Das Indústrias Do Estado Do Rio De Janeiro (FIRJAN).
Danieloliveirasza00@gmail.com
3
Mestre Em Desenvolvimento Local Pela Universidade Augusto Motta (UNISUAM).
Cristiane.Dm01@gmail.com
4
Doutora Em Ciências Pela Universidade Federal Do Rio De Janeiro (UFRJ). Docente E Pesquisadora Do
Programa De Pós-Graduação Em Desenvolvimento Local No Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM).
Katia.Avelar@gmail.com
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ABSTRACT
This article aims to present the production of educational materials with the principles of
entrepreneurship and technology for teaching people with disabilities (PWD). The creation of
the material was intended for use in Chemistry and Geography subjects and for teaching Braille
to students with visual impairments and low vision, in the school community of Colégio
Estadual Professor José de Sousa Marques. The manufacturing process of these inputs involved
the use of a 3D printer, aiming to provide students involved in the project with concepts of
entrepreneurship applied to solving needs in the school environment, such as surveying
production costs and accessibility of the project in 3D. The pedagogical relevance of the project
stands out as it provides students with a practical experience that encourages innovation and
creativity, transforming theoretical concepts into tangible and applicable projects.
Keywords: 3D printing, entrepreneurship, PwD, braile.
1. INTRODUÇÃO
Desde o final dos anos 80, o ensino para pessoas com deficiência (PCD) tem sido um tópico
central em debates sobre aplicação, inclusão e abrangência. Essas discussões vão desde a
adaptação de ambientes para receber alunos PCD, como a instalação de rampas de acesso para
cadeirantes, até a criação de espaços adequados para o ensino de alunos deficientes visuais. No
cenário atual do ensino público estadual, não apenas a inclusão de alunos PCD é possível, mas
também é incentivada a socialização com alunos não PCD, promovendo assim um ambiente
escolar de imersão social.
Esse desenvolvimento favorece o aprendizado, cultiva uma mentalidade de aceitação da
diversidade e contribui para a redução do bullying, criando um ambiente escolar propício ao
aprendizado e à convivência harmoniosa.
No entanto, ainda existem diversas dificuldades a serem superadas, como a falta de ambientes
adequados para os alunos PCD, a necessidade de profissionais capacitados e a falta de materiais
de ensino e apoio pedagógico adequados para atender às necessidades desses alunos. Um
ambiente adequado para os alunos PCD é essencial para que possam receber educação de
qualidade. Isso inclui não apenas instalações físicas adaptadas, mas também acesso a materiais
pedagógicos adequados.
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Profissionais capacitados desempenham um papel fundamental no processo educacional dos
alunos PCD. Esses profissionais podem ser professores, coordenadores ou outros profissionais
especializados em mediar conhecimentos e promover o desenvolvimento dos alunos.
Além disso, é crucial garantir que os materiais de ensino e apoio pedagógico sejam adequados
às necessidades dos alunos PCD. Isso inclui o fornecimento de equipamentos adaptados,
recursos tecnológicos e materiais didáticos que facilitem o processo de aprendizado.
Cada aluno PCD apresenta necessidade específica, sendo essencial a busca constante novas de
tecnologias e abordagens educacionais para atender a essas necessidades. Atualmente,
observamos a crescente popularidade da impressão 3D e do conceito de ensino Maker, que
enfatiza não apenas o ensino do conteúdo curricular, mas também sua aplicação prática, o
desenvolvimento social e o empreendedorismo. Existe uma clara convergência entre o ensino
para alunos PCD e o ensino Maker, especialmente quando a impressão 3D é utilizada para criar
novas ferramentas educacionais e tornar recursos de aprendizado existentes mais acessíveis.
2. OBJETIVOS
Neste artigo, exploramos como o ensino Maker pode facilitar o ensino de alunos com
deficiência visual e baixa visão, na escrita Braile e em outras metodologias. Nosso objetivo é
apresentar produção de materiais educacionais com os princípios do empreendedorismo e da
tecnologia para o ensino PCD de alunos com deficiência visual e baixa visão do Colégio
Estadual Professor José de Sousa Marques.
“Neste mundo espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas
necessidades” Charles Chaplin, em O último discurso.
3. DESENVOLVIMENTO
Este projeto representa um aspecto fundamental do desenvolvimento empreendedor,
concentrando-se na participação ativa dos alunos para oferecer soluções que beneficiem a
comunidade escolar do Colégio Estadual Professor José de Sousa Marques, localizado no bairro
de Brás de Pinas, Rio de Janeiro, RJ.
A escrita em Braile não é o foco exclusivo do estudo, mas sim um recurso a ser explorado para
enriquecer as opções de ensino disponíveis. Por outro lado, o uso de alto relevo permite uma
abordagem de estudo diferenciada, onde o aluno com deficiência visual ou com baixa visão,
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pode interpretar informações sobre um determinado assunto ao tatear uma superfície que
apresenta variações de relevo e rugosidade.
A escrita Braile é altamente padronizada, seguindo normas específicas, porém requer materiais
especiais que podem ser financeiramente custosos, como regletes e punções. O reglete, por
exemplo, é uma régua especial com encaixes que permite a criação de pontos em alto relevo
em uma folha de papel, sendo uma técnica utilizada mais de dois séculos. O foco dessas
atividades reside na fabricação desses regletes, bem como punções para marcar o papel e outros
recursos didáticos pedagógicos.
No que diz respeito ao alto relevo, trata-se de uma superfície elevada, com padrões ou desenhos
cujas linhas se encontram a uma altura superior à base, possibilitando que sejam seguidas e
percebidas pelo tato. Uma analogia interessante é a aplicação do alto relevo na representação
da tabela periódica. Ao associar a massa atômica de cada elemento químico à altura do quadrado
correspondente na tabela, os alunos podem sentir as variações de altura e assim compreender
melhor as informações apresentadas.
Para a produção dos materiais, utilizamos uma impressora 3D. Essa tecnologia consiste na
deposição de finas camadas de polímero sobrepostas para criar objetos tridimensionais. Dessa
forma, é possível construir peças com geometrias complexas que seriam difíceis de serem
fabricadas por outros métodos, como usinagem ou marcenaria. Todo o processo é realizado
com base em desenhos previamente elaborados em software de modelagem 3D, conhecidos
como CAD (Desenho Assistido por Computador).
Figura 1. Impressora 3D imprimindo um alfabeto braile.
Fonte: os autores, 2023.
101
Observa-se que o ensino Maker e a impressão 3D podem se tornar ferramentas educacionais
valiosas para atender às necessidades dos estudantes PCD. Nesse contexto, o
empreendedorismo surge como um ponto de convergência entre os diferentes atores
envolvidos. Ao introduzir abordagens empreendedoras nas escolas, é possível estimular e
fortalecer nos alunos a capacidade de criar soluções quando surgem demandas no mercado.
No ambiente escolar, foi identificada a carência de equipamentos para equipar uma sala PCD
para alunos com deficiência visual e com baixa visão. Embora os equipamentos para escrita em
Braile sejam amplamente disponíveis, com várias empresas oferecendo esses materiais, o alto
custo desses produtos limita sua aplicabilidade. Por outro lado, a impressão 3D oferece
vantagens significativas, como baixo custo de matéria-prima, flexibilidade para criar
equipamentos personalizados de acordo com as necessidades específicas e a possibilidade de
envolver os demais alunos na criação e produção de materiais didáticos inclusivos.
Intencionando o desenvolvimento de equipamentos para a sala PCD, buscou-se a seleção de
softwares de desenho em CAD e a preparação dos arquivos para impressão. O software
escolhido para o desenho foi o Fusion 360 da AutoDesk (vide imagem 2), pois oferece uma
versão gratuita para estudantes e professores, permitindo o uso para fins educacionais e não
comerciais. Apesar de ser uma versão gratuita, o Fusion 360 oferece uma ampla gama de
recursos para a criação de desenhos complexos e detalhados.
Figura 2. Placa para a sala PCD sendo criada no CAD.
Fonte: os autores, 2023.
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O software de fatiamento adotado foi o Ultimaker Cura, O termo “‘Ultimaker’ Cura’“ refere-
se a um software de fatiamento utilizado no processo de impressão 3D. ‘Ultimaker’ é o nome
do fabricante de impressoras 3D e produtos relacionados, enquanto "Cura" é o nome do
software de código aberto desenvolvido pela mesma empresa para preparar modelos 3D para
impressão. A escolha do software justifca-se devido à gratuidade de sua licença e a facilidade
de uso, requerendo apenas um computador simples. O fatiador desempenha um papel crucial
no processo de impressão 3D, pois converte os arquivos de desenhos em 3D no formato STL
(formato de arquivo comumente utilizado para impressão 3D e desenho assistido por
computador) em coordenadas compreensíveis pela impressora 3D, permitindo que ela realize a
impressão conforme as especificações do projeto. O Ultimaker Cura é reconhecido por sua
interface intuitiva e recursos avançados, tornando-o uma opção acessível e eficiente para fatiar
modelos 3D e prepará-los para impressão.
Figura 3. Software de fatiamento UltiMaker Cura.
Fonte: os autores, 2023.
Em termos gerais, o software permite a leitura do arquivo de desenho e oferece a possibilidade
de realizar diversas configurações, como velocidade de impressão, qualidade do objeto e outras
variáveis, visando obter o melhor resultado na impressão do objeto desejado.
Durante nossos testes, para imprimir um simples reglete, foram necessárias quatro tentativas
(vide figura 04) até que conseguíssemos produzir um objeto funcional e de qualidade
satisfatória. Isso destaca a importância de ajustar corretamente as configurações do software,
como temperatura de impressão, espessura das camadas e velocidade, para garantir um
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resultado final satisfatório. O processo de tentativa e erro é comum na impressão 3D e faz parte
do aprendizado e refinamento do processo de produção.
Figura 4. Regletes com erro de impressão
Fonte: os autores, 2023.
Alguns materiais não precisam ser desenvolvidos do zero no início do projeto, pois existem
arquivos disponíveis na internet contendo os desenhos finais. Embora alguns desses materiais
possam ser adquiridos comercialmente, optamos por utilizar arquivos de uso livre. Essa
abordagem amplia significativamente a variedade de recursos disponíveis para a sala PCD,
incluindo alfabetos, jogos, dados, regletes, cubos mágicos e outros.
Ao optarmos por materiais com uso livre, podemos acessar uma ampla gama de recursos
educacionais sem custo adicional. Isso não apenas reduz os gastos do projeto, mas também
promove a acessibilidade e a inclusão dos alunos, garantindo que todos tenham acesso aos
mesmos materiais e oportunidades de aprendizado.
Os materiais criados ou obtidos dessa maneira têm como objetivo principal melhorar o ensino
e promover a inclusão dos alunos PCD na sala de aula, visando a produção sem custo financeiro
adicional. Essa abordagem exemplifica como a criatividade e o uso inteligente de recursos
disponíveis podem contribuir significativamente para um ambiente educacional mais inclusivo
e acessível.
No início do projeto, nosso foco destinava-se na confecção de regletes, que são, em sua forma
mais simples, réguas com encaixes pré-determinados para facilitar a escrita em Braile, tanto por
parte dos alunos quanto dos professores. Os regletes possuem pequenos sulcos que permitem
que uma punção imprima em alto relevo um ponto em uma folha de papel comum. Esses pontos
em alto relevo formam então a escrita em Braile (vide figura 05).
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Figura 5. Reglete e punção feitos na impressora 3D.
Fonte: os autores, 2023.
Essa abordagem é essencial para fornecer aos alunos deficientes visuais ou com baixa visão
uma ferramenta eficaz para a escrita e leitura em Braile. Os regletes são uma parte fundamental
do processo de aprendizado desses alunos, permitindo que eles expressem suas ideias e
compreendam o conteúdo de forma independente. Ademais, os regletes são ferramentas
valiosas para os professores, auxiliando-os no ensino e na comunicação com os alunos.
Apresentamos, aqui, os produtos elaborados durante o projeto, juntamente com sua importância
na sala de aula para os alunos deficientes visuais e com baixa visão.
Tabela periódica
A tabela periódica adotada em nosso projeto possui seis variantes, cada uma destacando uma
propriedade específica dos elementos químicos em alto relevo. O desenho utilizado foi obtido
em websites que disponibilizam arquivos no formato STL para impressão 3D (vide figura 6).
Figura 6. Tabela periódica em 3D.
Fonte: os autores, 2023.
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O objetivo da produção desse material é explicar as propriedades dos elementos químicos de
forma que os alunos possam compreender as diferenças entre eles. Por exemplo, na tabela em
branco da Figura 6, a propriedade destacada é a energia de ionização de cada elemento químico.
Dessa forma, o Hélio (He), por ter a maior energia de ionização, apresenta a sua célula como a
mais alta em relação aos outros elementos.
Embora a configuração escolhida não tenha gerado uma tabela perfeita e apresente algumas
imperfeições, ainda assim foi considerada útil. A principal vantagem dessa abordagem é a
grande diferença na altura entre os elementos, o que permite uma compreensão clara do que
está sendo destacado em cada um deles.
Apesar das imperfeições, a tabela periódica em alto relevo continua sendo uma ferramenta
valiosa para o ensino de química, proporcionando aos alunos uma forma tátil e visualmente
distintiva de explorar as propriedades dos elementos. Essa abordagem promove uma
compreensão mais profunda e engajada dos conceitos químicos, contribuindo para um
aprendizado mais eficaz e inclusivo.
Essa versão da tabela periódica requer algumas modificações para torná-la mais acessível para
os alunos deficientes visuais e com baixa visão. É necessário adicionar o nome dos elementos
em Braile, garantindo que os alunos possam identificar cada elemento de forma tátil. Essa
adaptação é essencial para garantir que todos os alunos tenham acesso à mesma informação e
possam compreender as propriedades dos elementos de maneira igualmente eficaz.
Essa modificação é fundamental para tornar a tabela periódica mais adequada para uso em salas
de aula inclusivas. Ao adicionar os nomes em Braile, proporcionamos aos alunos deficientes
visuais ou com baixa visão o acesso completo às informações contidas na tabela, permitindo
que eles explorem e compreendam as propriedades dos elementos químicos de forma
independente. Essa adaptação é um passo importante na promoção da igualdade de
oportunidades educacionais e no apoio ao sucesso acadêmico de todos os alunos,
independentemente de suas habilidades visuais.
Mapas em alto relevo
A criação de mapas em alto relevo para utilização nas aulas de Geografia apresenta um desafio
significativo, uma vez que requer uma abordagem detalhada onde pequenas variações de textura
representam grandes diferenças de elevação no mapa, seja em termos de centenas de metros em
mapas regionais ou até mesmo de quilômetros em mapas globais. No entanto, essa abordagem
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é uma das mais significativas, pois a representação do relevo em um mapa é fundamental para
compreender a complexidade da geografia de uma região.
Durante nossas pesquisas, encontramos um mapa da zona sul do estado do Rio de Janeiro (No
formato STL). Este mapa se destaca como um excelente material para explorar o relevo local,
pois abrange pontos geográficos icônicos da cidade, como a Pedra da Gávea, o Cristo Redentor,
o Bondinho do Pão de úcar e a Baía de Guanabara. Esses pontos de referência poderem
proporcionar uma compreensão visual e tátil do relevo da região, possibilitando aos alunos
explorar e entender melhor a geografia da área de estudo.
Figura 7. Mapa em alto relevo da zona sul do estado do município do Rio de Janeiro
Fonte: os autores, 2023.
A criação do mapa global se revelou mais complexo em sua abordagem, pois suas sutilezas
exigem um modelo bem construído e impresso, de modo que seja possível perceber as
proporções dos continentes e oceanos. Nesse sentido, a primeira opção considerada foi o mapa
com projeção cônica. Apesar de distorcer as áreas distantes dos paralelos, é o tipo de projeção
mais adequado para impressão 3D mais simples (vide figura 08).
Essa projeção cônica permite uma percepção mais fácil dos relevos, que são representados
como cadeias de montanhas ou relevos submarinos, facilitando a distinção entre continentes e
oceanos. No entanto, outras opções de projeção também serão consideradas no futuro, visando
criar um modelo mais preciso e detalhado do mapa global em alto relevo. Esse é fundamental
para garantir uma representação geográfica mais precisa para a articulação de estratégias de
ensino inclusivo.
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Figura 8. Mapa mundo na projeção cônica.
Fonte: os autores, 2023.
O mapa-múndi mais fiel à realidade é o modelo esférico, pois representa o planeta Terra em
sua totalidade. Modelos desse tipo geralmente são encontrados em diversos websites, mas o
tamanho acaba sendo um obstáculo para sua confecção. Modelos grandes não são viáveis para
a maioria das bandejas de impressão das impressoras 3D.
Diante disso, foi realizada uma pesquisa mais extensa para encontrar um modelo alternativo
que, embora seja desafiador de visualizar, ofereça uma textura capaz de ser explorada pelo tato.
Essa textura deste modelo permite que o aluno PCD perceba os continentes e oceanos em sua
real relação de tamanho (vide figura 09). Embora possa ser difícil sua compreensão, para que
observa este modelo proporciona uma experiência sensorial valiosa para os alunos,
possibilitando a compreensão da geografia do mundo de criativa.
Figura 9. Globo Terrestre, hemisfério norte.
Fonte: os autores, 2023.
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Um dos aspectos importantes a considerar na impressão de mapas e globos terrestres é a seleção
adequada das cores do material. Embora o foco principal seja o relevo em si, o uso de cores
contrastantes pode auxiliar os professores na identificação e compreensão das nuances do
relevo.
Por exemplo, ao adicionar cores diferentes para representar áreas montanhosas, vales, planícies
e corpos d'água, os alunos e professores podem distinguir visualmente essas características
geográficas com maior facilidade. O contraste entre as cores também pode destacar a elevação
do terreno e a profundidade dos oceanos, tornando a representação do relevo mais clara e
acessível para todos os alunos, incluindo aqueles com baixa visão.
Portanto, ao imprimir mapas e globos terrestres em 3D, é importante considerar não apenas a
textura tátil do material, mas também a escolha cuidadosa das cores para facilitar a compreensão
e a análise do relevo geográfico. Esse cuidado contribui significativamente para a eficácia do
ensino de geografia e para uma experiência de aprendizado mais enriquecedora e inclusiva.
Alfabeto em braile
O alfabeto em Braile e o alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, são
ferramentas essenciais para o ensino de pessoas com deficiência visual. Esses recursos são
fundamentais para ajudar os alunos e professores a desenvolverem habilidades de leitura em
Braile.
Os arquivos desses alfabetos também foram encontrados online, com permissão para uso livre
(vide figura 10). Isso possibilita a impressão desses materiais em 3D para serem utilizados em
sala de aula, proporcionando acesso igualitário ao aprendizado para todos os alunos,
independentemente de suas habilidades visuais.
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Figura 10. Alfabeto em braile.
Fonte: os autores, 2023.
Esses alfabetos são importantes não apenas para o ensino da leitura em Braile, mas também
para promover a inclusão e a autonomia dos alunos com deficiência visual. Com acesso a esses
recursos, os alunos podem aprender a ler e escrever em Braile, abrindo portas para a educação
e para a participação plena na sociedade. O uso desses materiais também ajuda a sensibilizar os
demais alunos e promover uma cultura de inclusão e respeito à diversidade na escola.
O empreendedorismo
A abordagem empreendedora neste projeto visa proporcionar aos alunos envolvidos uma
compreensão abrangente dos custos e da viabilidade de fabricação na criação e impressão dos
materiais. Isso permite que os alunos experimentem uma simulação de produção semelhante
àquela encontrada em empresas, possibilitando o estudo da abordagem de mercado dos itens
criados.
A sala Maker, equipada com impressoras 3D, desempenha um papel fundamental ao oferecer
aos alunos uma oportunidade de aprendizado colaborativo. O objetivo é proporcionar um
ambiente onde os alunos possam aplicar os princípios do empreendedorismo na criação de
materiais destinados ao próprio colégio. Isso envolve o reconhecimento de uma necessidade de
mercado e a aplicação do conhecimento adquirido para atender a essa demanda específica.
Ao se envolverem no processo de criação e produção de materiais educacionais, os alunos não
apenas desenvolvem habilidades práticas e técnicas, mas também adquirem uma compreensão
mais profunda dos conceitos de empreendedorismo, mercado e viabilidade econômica. Essa
abordagem promove uma aprendizagem significativa ao mesmo tempo em que prepara os
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alunos para enfrentarem desafios do mundo real e explorarem oportunidades de negócios
futuras.
4. CONCLUSÃO
Em suma, este projeto representa uma iniciativa inovadora que integra a produção de materiais
educacionais com os princípios do empreendedorismo e da tecnologia para o ensino de pessoas
com deficiência (PCD). Ao criar materiais educacionais acessíveis para alunos PCD, como
regletes em Braile, mapas em alto relevo e alfabetos táteis, fomentamos a inclusão na escola,
além de fornecer os próprios alunos ferramentas para que se tornarem agentes de mudança em
suas comunidades.
A abordagem empreendedora adotada neste projeto vai além da simples fabricação de materiais.
Ela proporciona aos alunos uma experiência prática valiosa, na qual podem aprender sobre
custos, viabilidade de produção e mercado. Ao participarem ativamente de todas as etapas do
processo, desde a concepção até a impressão em 3D, é oportunizado habilidades para o mundo
do trabalho e desenvolvimento de visão empreendedora.
Outrossim, a sala Maker equipada com impressoras 3D destaca-se como um ambiente de
aprendizado, inovação e criatividade. Nela, os alunos podem experimentar, criar e explorar
novas ideias, transformando conceitos teóricos em projetos tangíveis e aplicáveis. Ao
reconhecer e responder às necessidades específicas do ambiente escolar, os alunos desenvolvem
soluções práticas para a construção de futuro mais inclusivo e igualitário para todos.
Em última análise, este projeto destaca a importância da educação inclusiva e do
empreendedorismo na formação dos alunos. Ao fornecer oportunidades de aprendizado
significativas e relevantes, estamos capacitando os alunos a se tornarem líderes e agentes de
mudança em suas próprias comunidades. Por fim, destacamos neste projeto a necessidade de
intencionar em direção a um mundo onde todas as pessoas, independentemente de suas
habilidades ou limitações, tenham a oportunidade de alcançar seu pleno potencial.
5. REFERÊNCIAS
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