269
TREINAMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS COM CRIANÇAS DO ENSINO
FUNDAMENTAL
SOCIAL SKILLS TRAINING WITH ELEMENTARY SCHOOL CHILDREN
Jaqueline de Carvalho Augusto da Hora Santos
1
Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) - Brasil
Adriana Benevides Soares
2
Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) - Brasil
RESUMO
A infância é uma fase de desafios, pois é caracterizada pelo período de desenvolvimento
integral. A presença de transtornos mentais, como ansiedade e depressão, compromete esse
desenvolvimento, desencadeando adversidades emocionais que nem sempre as crianças estão
preparadas para o enfrentamento. O objetivo deste estudo foi verificar se a aquisição de
habilidades sociais através de um Treinamento poderia diminuir os indicadores de sofrimento
psíquico. O estudo foi de natureza quase experimental, longitudinal com pré e pós teste e
comparação de grupos. Os instrumentos utilizados foram o Sistema de Habilidades Sociais,
Problemas de Comportamento e Competência Acadêmica para Crianças, Escala Spence de
Ansiedade Infantil e Inventário de Depressão Infantil. Foram conduzidos testes de Mann-
Whitney para amostras independentes entre os grupos antes e depois da intervenção. Para
verificar se a intervenção gerou algum efeito, um teste de diferença de grupos de medidas
repetidas foi conduzido por meio do teste Wilcoxon. Foi ainda utilizado o Método JT para
avaliar o impacto da intervenção por meio das mudanças individuais. Conclui-se que, nas
1
Doutoranda e Mestre pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Pós-graduada em Terapia Cognitivo-
Comportamental (UniRedentor). Psicóloga pelo Centro Universitário Celso Lisboa. Professora da graduação na
Universidade Augusto Motta (UNISUAM) e na Universidade Veiga de Almeida (UVA).
psijaquelinedahorasantos@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0786-2386
2
Pós-doutora pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e pela Universidade São Francisco (USF).
Doutora e mestra em Psicologia pela Universidade de Paris XI, pós-graduada em Terapia Cognitivo-
Comportamental (UniRedentor). Terapeuta certificada pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC),
Psicóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora Titular da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Pesquisadora 1 do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Cientista do Nosso Estado pela Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Pesquisa nas áreas de Habilidades Sociais,
especialmente no contexto educativo e no tema relativo à adaptação acadêmica à universidade.
(https://labrelacoes.wordpress.com/). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8057-6824
270
análises individuais, a intervenção foi efetiva para aquisição e ampliação do repertório de
habilidades sociais. As contribuições reforçam os ganhos que crianças podem ter ao
participarem de um Treinamento de Habilidades Sociais.
Palavras-chave: Habilidades sociais; ansiedade; depressão; crianças.
ABSTRACT
Childhood is a phase of challenges, as it is characterized by the period of integral development.
The presence of mental disorders, such as anxiety and depression, can compromise this
development, triggering emotional adversities that children are not always prepared to face.
The objective of this study was to verify if the acquisition of social skills through a training
could reduce the indicators of psychic suffering. The study was longitudinal in nature study
with comparison of groups. The instruments used were the System of Social Skills, Problems
of Behavior and Academic Competence for Children, Spence Scale of Childhood Anxiety and
Inventory of Childhood Depression. Mann-Whitney tests were conducted for independent
samples between groups before and after the intervention. To verify whether the intervention
had any effect, a repeated measures group difference test was conducted using the Wilcoxon
test. The JT Method was also used to assess the impact of the intervention through individual
changes. It was concluded that training was effective for the acquisition and expansion of the
repertoire of social skills when individual analyzes were performed. Contributions reinforce the
gains children can make by participating in a social skills training.
Keywords: Social skills; anxiety; depression, children.
1. INTRODUÇÃO
A infância é uma fase repleta de desafios, uma vez que é caracterizada por um período
de acelerado desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. É nesse período da vida
que diferentes situações vivenciadas vão ganhando significados e requerendo das crianças
recursos para enfrentá-las. Quando algumas dessas situações são geradoras de sofrimento, as
crianças podem não estar preparadas para o enfrentamento, desencadeando uma série de
sofrimentos emocionais, assim como problemas de comportamento que as vezes são mais
visíveis e, portanto, precisam ser observados à luz de um conhecimento amplo da criança a fim
de identificar se apontam para algum sintoma de adoecimento mental (Antoniut et al., 2019;
271
Bennett & Blankenship, 2020). Salienta-se que em 2016, a OMS estabeleceu como parâmetro
para a saúde mental de crianças e de adolescentes a capacidade de alcançar um bom
funcionamento psicossocial e um estado de bem-estar em níveis elevados, o que não acontece
quando há prevalência de transtornos mentais.
Dentre os transtornos mentais comuns na infância, pode-se destacar a ansiedade e a
depressão. A ansiedade está associada com a manutenção da integridade de uma pessoa,
podendo ter suas sensações consideradas como algo comum, porém quando a intensidade e a
frequência causam mal-estar, precisa então ser observada com mais cuidado (Freitas et al.,
2018). Para Clark e Beck (2012) a ansiedade pode ser definida como uma resposta cognitiva,
afetiva, fisiológica e comportamental do indivíduo de forma antecipada aos eventos
considerados por ele altamente aversivos, imprevisíveis e incontroláveis, consequentemente,
em níveis disfuncionais, essa resposta pode configurar um transtorno.
O Transtorno de Ansiedade tem como configuração habitual sentimentos intensos e
persistentes e é bem diferente dos medos mais comuns que podem às vezes ser acentuados na
infância (Antoniut et al., 2019; Clark & Beck, 2012). O transtorno de ansiedade em crianças e
adolescentes, segundo Dumas (2011), pode provocar aflição extrema que necessariamente não
advém de um perigo real, nem sempre podem ser acalmados por ações tranquilizadoras,
frequentemente não são dominados por ato de vontade própria e costumam persistir por longo
tempo, interferindo no desenvolvimento saudável e fazendo-se necessário identificar os
diferentes tipos de ansiedade que surgem na infância. A American Psychiatric Association
[APA] (2014), diferencia os tipos de transtorno de ansiedade que podem surgir na infância:
Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade de Separação, Transtorno de
Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Fobia Específica, Agorafobia e Transtorno do
Estresse Pós-Traumático. Nas diferentes maneiras de apresentação da ansiedade, sintomas
que podem ser fatores de risco para outros transtornos psiquiátricos, como por exemplo, a
depressão.
A depressão em crianças é um assunto que vem sendo estudado nos últimos anos frente
a frequência que os problemas gerados por ela têm afetado a saúde mental nessa fase da vida.
O avanço nos estudos tem possibilitado um entendimento maior sobre o problema e aberto
caminhos para programas de intervenção que possam diminuir sua incidência.
272
Antoniut et al. (2019) realizaram uma revisão de literatura objetivando uma discussão
crítica de protocolos de intervenção para tratamento dos transtornos de ansiedade e depressão
na infância. Os autores discutiram os principais recursos terapêuticos utilizados nesses
protocolos, verificando os resultados encontrados e as possibilidades de estudos a partir das
intervenções investigadas. Concluíram ressaltando a importância da construção de programas
direcionados para o tratamento e para a prevenção de situações de sofrimento psicológico na
infância.
O estudo de metanálise de Polanczyk et al. (2015), apontou a prevalência de transtornos
psiquiátricos em crianças e adolescentes, envolvendo pesquisas em diferentes países. Os
resultados apontaram a prevalência mundial dos transtornos mentais de 13,4%. Com relação
aos transtornos de ansiedade e de depressão, os resultados apontaram a prevalência de 6,5 e 2,6,
respectivamente (Polanczyk et al., 2015). A característica essencial de um episódio depressivo
maior é quando há um período de pelo menos duas semanas com um humor depressivo ou com
a perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades, sendo que em crianças e
adolescentes, o humor pode ser irritável em vez de triste (APA, 2014). Em crianças escolares,
o humor depressivo pode ser verbalizado e é frequentemente relatado como tristeza,
irritabilidade ou tédio. Apresentam aparência triste, choro fácil, apatia, fadiga, isolamento,
declínio ou desempenho escolar fraco, podendo chegar à recusa escolar e em casos mais graves,
desejo de morrer (Bahls, 2002). Não se pode desconsiderar, ao abordar o tema da depressão na
infância, a necessidade de se observar a multifatorialidade, incluindo as condições externas que
a criança convive.
Para Nardi et al. (2017) o ambiente em que as crianças estão inseridas pode ser um fator
de vulnerabilidade para o aparecimento de sintomas psicopatológicos. Faz-se, então,
imprescindível entender os contextos de vida, social, financeiro, educacional em que estas
crianças estão inseridas, uma vez que a depressão está presente cada vez mais na população
infantil, podendo ser crônica, recorrente, causando prejuízos e limitações que estão associadas
a consequências para toda vida. Bahls (2002) apontou que a presença de depressão em um dos
genitores aumenta em até três vezes o risco de aparecimento na criança, seguido por estressores
ambientais, como abuso físico e sexual e morte/perda de um dos pais, irmão ou amigo íntimo.
Calderano e Carvalho (2005) afirmaram que a doença psíquica de um dos pais pode constituir
até 43% de chance de ocorrer também na criança e geralmente filhos de pais com diagnóstico
de depressão tendem a desenvolver o mesmo problema. Conhecer os sinais e sintomas diante
273
desses múltiplos fatores traz um desafio para os profissionais que se propõe a intervir no
tratamento da depressão na infância.
Friedberg e McClure (2019) mostraram que crianças com depressão podem exibir
sintomas em quatro esferas: cognitiva, fisiológica, interpessoal e comportamental. Os sintomas
interpessoais podem gerar problemas com colegas e rejeição por parte deles, sendo rotineiro
em crianças deprimidas, uma vez que tendem a se esquivar de participações sociais, resultando
em menos relacionamentos com seus colegas e com frequência sentindo-se isoladas. Friedberg
e McClure (2019), afirma que os sintomas comportamentais costumam ser a razão para a
procura de intervenção, uma vez que as crianças podem apresentar problemas de
comportamento, dificuldades para se relacionar com os outros, agressividade, agitação ou
inquietação psicomotora ou o inverso com a apatia e retraimento social. Os transtornos na
infância merecem atenção, pois uma vez que não identificados e manejados de forma adequada,
podem trazer consequências duradouras para a adolescência e vida adulta (Kieling et al., 2011).
Diante dos que os autores sustentam, é possível deduzir que as crianças deprimidas carecem de
um melhor manejo das habilidades sociais e de oportunidades de melhora nas interações
pessoais que venham a diminuir os sintomas interpessoais e comportamentais.
Seguindo essa linha, A. Del Prette e Del Prette (2018) argumentam que a aquisição de
habilidades sociais e o desenvolvimento da competência social constituem processos que
acontecem por meio de interações do dia a dia. Dessa forma, as práticas educativas utilizadas
pela família e pela escola, acrescidas ao convívio com os pares, tornam-se as principais
probabilidades para a aquisição de comportamentos habilidosos ou não habilidosos adquiridos
no repertório comportamental da criança, sendo que o déficit de comportamentos habilidosos
abre caminho para outros problemas.
Segrin (2000) e Feitosa (2014) o pontuar que os ficits de habilidades sociais são
um fator de risco, uma vez que habilidades sociais, depressão e ansiedade podem vir a se
relacionar. Pessoas com déficits de habilidades sociais conseguiriam menos reforçadores
sociais, teriam mais dificuldades para se protegerem de estímulos sociais punitivos e, por isso,
experimentariam mais estressores interpessoais de maneira crônica (Feitosa, 2014; Freitas et
al., 2018; Segrin, 2000).
As habilidades sociais são um conjunto de comportamentos sociais valorizados em
determinada cultura com alta probabilidade de resultados favoráveis para o indivíduo, seu grupo
274
e comunidade que podem contribuir para o desempenho interpessoal socialmente competente
(A. Del Prette & Del Prette, 2018). A aquisição dessas habilidades pode ser potencializada por
meio do Treinamento de Habilidades Sociais (THS), que se caracteriza como um método de
intervenção preventivo e educativo, com uma avaliação prévia das dificuldades e recursos
interpessoais dos participantes para orientar o planejamento do treinamento (Caballo, 2003;
Michelson et al., 2013; Souza et al., 2019). O desenvolvimento de um repertório mais elaborado
de habilidades sociais quando criança pode perdurar na vida futura do indivíduo e em suas
relações interpessoais, destacando-se que o THS na infância pode contribuir significativamente
para produzir melhoras nos comportamentos e no desempenho acadêmico (Souza et al., 2019)
fazendo-se, então, necessária a percepção da relevância das iniciativas que disponibilizem a
avaliação do repertório de habilidades sociais e por conseguinte, o treinamento para situações
deficitárias, de maneira cada vez mais precoce, estando disponível em contextos sociais onde a
criança tenha acesso, como por exemplo, a escola.
Atualmente, a realização de programas de intervenção para o bem-estar emocional e
social vem ganhando espaço exatamente por se compreender a importância deste para as
crianças e o ambiente escolar. Elias e Amaral (2016) afirmam que o desenvolvimento desses
programas de caráter universal indica possibilidades reais de trabalho preventivo. Para
González et al. (2019), o número de artigos relatando intervenções direcionadas ao campo
educacional aumentaram. Os autores afirmam que devido às evidências sobre o surgimento de
problemas de saúde mental em uma idade precoce, a atenção primária deve ser incentivada
durante os estágios da primeira infância para evitar tais problemas durante a adolescência e a
idade adulta.
Stallard et al. (2015) realizaram um ensaio clínico randomizado e controlado,
comparando a eficácia e o custo-benefício de um programa universal de THS realizado em
escolas, com duração de nove sessões, tendo por objetivo a redução da ansiedade e a melhora
do humor em crianças. A amostra contou com 40 escolas e 1.448 crianças entre 9 e 10 anos. A
ansiedade e depressão relatada pela criança nos três grupos foi reduzida em 24 meses. Os
resultados desse estudo, mostraram evidências limitadas para apoiar o fornecimento universal
de programas específicos de intervenção nos índices de ansiedade e depressão nas escolas
primárias do Reino Unido, apontando para a necessidade de se observar as especificidades de
cada grupo onde os THS possam ser realizados. Ainda sobre programas universais, Merry et
al. (2004) constataram que apenas intervenções psicológicas direcionadas alcançaram reduções
275
significativas na depressão pós-intervenção e Rapee et al. (2009) encontraram efeitos pequenos,
mas significativos, para um programa universal de prevenção da ansiedade, com efeitos mais
fortes para crianças do que para adolescentes; enquanto a revisão de Neil e Christensen
(2009) indicou eficácia para programas universais e direcionados de prevenção de ansiedade
nas escolas.
Os estudos de Maia et al. (2019) e Souza et al. (2019) refletem a relevância da aquisição
das habilidades sociais para as crianças do Ensino Fundamental e o quanto o déficit dessas pode
comprometer o desenvolvimento saudável, o desempenho acadêmico e a competência social.
No primeiro, os resultados mostraram que quanto mais problemas de comportamento, pior o
desempenho escolar nos estudantes. No segundo, buscou-se promover as habilidades sociais de
estudantes do Ensino Fundamental. O objetivo principal era identificar os efeitos de um THS
nas habilidades sociais, problemas de comportamento e no desempenho acadêmico de crianças
do quinto ano do Ensino Fundamental. O THS foi aplicado em 10 sessões e os resultados
revelaram ganhos positivos para a maioria dos alunos participantes da intervenção e escores
superiores do Grupo de Intervenção em todas as variáveis. O THS se evidencia como um
recurso eficaz (Souza et al., 2018) e pode ser utilizado por profissionais de Psicologia a fim de
possibilitar ao indivíduo uma resposta adequada às exigências do contexto histórico social, uma
vez que se configura como um programa estruturado, cujo método tem como principal objetivo
a prevenção do que seria as possíveis dificuldades de comportamento na interação social,
viabilizado por meio das sessões em que se conduz e ensina mudanças (Lima et al., 2019).
Diante do exposto, é possível admitir que criar oportunidades para melhorar as relações
sociais das crianças permitindo que tenham uma vida mais saudável foi um caminho que se
desejou seguir. As práticas de intervenção e prevenção em curto prazo podem ser fator de
proteção e diminuição de riscos em seu desenvolvimento e para tanto, o presente estudo deseja
contribuir, avaliando se um THS pode levar à aquisição de habilidades sociais e a diminuição
da ansiedade e depressão das crianças.
Procurou-se responder as seguintes perguntas: O THS pode levar as crianças a
adquirirem habilidades sociais? O THS pode diminuir a ansiedade e a depressão das crianças?
Existe diferea entre o Grupo Comparação (GC) e o Grupo Experimental (GE) no que diz
respeito às habilidades sociais, ansiedade e depressão? As hipóteses que nortearam o estudo
foram: as habilidades sociais das crianças terão maiores escores no pós-teste do que no pré-
276
teste; a ansiedade das crianças terá menores níveis no pós-teste do que no pré-teste; a depressão
das crianças terá menores níveis no pós-teste do que no pré-teste; o Grupo Experimental (GE)
terá maiores escores nas habilidades sociais do que o Grupo Comparação (GC); o Grupo
Experimental (GE) terá menores escores na ansiedade e na depressão do que o Grupo
Comparação (GC).
2. OBJETIVOS
Avaliar se um THS pode levar à aquisição de habilidades sociais e a diminuição dos índices de
ansiedade e depressão das crianças do Ensino Fundamental.
3. DESENVOLVIMENTO
3.1. Método
Estudo de natureza quase experimental, longitudinal com pré e pós teste e comparação
de grupos (experimental - GE e comparação - GC).
3.2. Participantes
A amostra inicial foi composta por 32 crianças. Os critérios de inclusão foram: idade
definida para amostra, estar devidamente matriculado na escola entre o primeiro e o quinto ano
do Ensino Fundamental, ter o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e o Termo de
Anuência assinados, possuindo frequência nima de 80% das sessões. Os critérios de exclusão
foram: crianças que não preencheram corretamente os instrumentos antes ou depois da
intervenção, frequência inferior a 80% das sessões do THS, criança que estivesse em
intervenção psicológica ou psiquiátrica ao longo da pesquisa. A amostra final, tendo atendido
os referidos critérios foi de 23 crianças de uma única escola privada no município de São
Gonçalo/RJ, com faixa etária entre 7 e 12 anos, de ambos os sexos, com 13 meninas (56,52%)
e 10 meninos (43,47%), sendo 8 crianças (34,78%) pertencentes a classe social C1 e 15 crianças
(65,21%) na classe social C2. Foram alocadas aleatoriamente em dois grupos, Grupo
Experimental (GE) e Grupo Comparação (GC), no período de junho a setembro de 2021. O GE
obteve 12 crianças (52,17%), sendo 8 meninas (66,66%) e 4 meninos (33,33%). O GC teve 11
crianças (47,82%), sendo 6 meninos (54,54%) e 5 meninas (45,45%).
277
3.3. Instrumentos
Sistema de Habilidades Sociais, Problemas de Comportamento e Competência
Acadêmica para Crianças (SSRS) (Gresham & Elliott, 1990, adaptado por Del Prette et al.,
2016) para alunos. Apresenta escala única com 20 itens (α=0,73) que avalia comportamentos
ligados à Empatia, Responsabilidade, Assertividade e Autocontrole.
Escala Spence de Ansiedade Infantil (SCAS de Spence SH, 1998 adaptada e validada
para a população brasileira por De Sousa et al, 2014) que foi desenvolvida com o objetivo de
avaliar os sintomas específicos de ansiedade na infância, bem como avaliar os sintomas de
acordo com os critérios diagnósticos do DSM-IV para os transtornos de ansiedade na infância.
É constituída por 44 itens, sendo que destes, 38 fazem referência a sintomas específicos da
ansiedade.
Inventário de Depressão Infantil (CDI), desenvolvido por Kovacs (1983) nos Estados
Unidos, compreendendo uma adaptação do BDI (Inventário de Depressão de Beck, 1961). Ele
propõe mensurar sintomas depressivos em jovens de sete a 17 anos, por meio de auto aplicação.
Para este estudo, optou-se pela adaptação brasileira elaborada por Gouveia et al. (1995). O
inventário possui três alternativas de resposta para cada item e é constituído por itens que
avaliam as questões afetivas, cognitivas e comportamentais da depressão. Os resultados do CDI
apontaram uma estrutura unifatorial, com ponto de corte em 17, representada por 20 itens
apresentando um coeficiente de consistência interna de 0,81.
3.4. Procedimentos éticos
O THS para o Grupo Experimental e as atividades do Grupo Comparação foram
submetidos ao Comitê de Ética da Universidade. O processo de consentimento dos participantes
aconteceu por meio do aceite dos itens descritos no Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) para os pais, no Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) para
as crianças e no Termo de Anuência para a Escola, tendo sido garantido aos participantes dos
dois grupos o devido acompanhamento de suporte emocional, caso fosse detectado algum
problema socioemocional decorrente da pesquisa.
3.5. Procedimentos de coleta de dados
A pesquisadora entrou em contato com a direção da escola, solicitando autorização para
realizar pesquisa com o público-alvo. Participaram da coleta de dados o responsável (pai, mãe
278
ou representante legal) e as crianças que foram esclarecidas e convidadas a participar da
pesquisa.
O THS consistiu num cronograma com dez sessões divididas e organizadas em
objetivos, conteúdo, metodologia, recursos materiais e duração média de 70 minutos. As
sessões foram criadas tomando por base as sete classes de habilidades sociais identificadas em
A. Del Prette e Del Prette (2013) e foram conduzidas pela pesquisadora responsável. Foram
criados em forma de ilustração sete personagens utilizados na apresentação das classes de
habilidades sociais. A eles foi dado o nome de Turma Habilidosa e no início de cada sessão
foram mostrados a fim de ajudar as crianças a assimilarem os conceitos propostos. O Grupo
Comparação teve um cronograma com dez sessões divididas e organizadas em objetivos,
conteúdo, metodologia, recursos materiais e duração com o tempo médio de 70 minutos,
incluindo atividades variadas que foram desenvolvidas ao longo das semanas.
3.6. Análise de dados
Com o intuito de testar as diferenças entre os grupos, foram conduzidos testes de Mann-
Whitney para amostras independentes entre os GC e GE antes e depois da intervenção (tempo
um e tempo dois, respectivamente). para verificar se a intervenção gerou algum efeito, um
teste de diferença de grupos de medidas repetidas foi conduzido por meio do teste Wilcoxon,
no GC (antes e depois) e GE (antes e depois). Foram comparadas as médias dos participantes
nas dimensões da depressão, habilidades sociais e ansiedade. O valor de significância estatística
adotado para este estudo foi de p < 0,05. Além disso, o tamanho de efeito calculado tanto para
o Mann-Whitney quanto para o Wilcoxon foi a correlação rank-biserial (rrb).
Foi ainda utilizado o Método JT para avaliar o impacto da intervenção por meio das
mudanças individuais obtidas com o THS, utilizando dois indicadores: a significância clínica
(SC) e o índice de mudança confiável (IMC). As análises do Método JT foram realizadas por
meio da linguagem de programação R (R Core Team, 2021, versão 4.1.1), utilizando o pacote
clinsig (Lemon, 2016). Para todas as análises, o critério de significância p < 0,05 foi adotado.
O Jacobson e Truax (JT), possibilita a investigação em relação aos participantes no que
tange a diferença entre os escores das variáveis mensuradas antes e depois do THS, tendo por
objetivo definir se a diferença entre os participantes representa mudanças confiáveis e
clinicamente relevantes. É considerado um método alternativo quando o número de sujeitos
inviabiliza a análise estatística inferencial. A análise feita pelo Método JT implica, portanto,
279
em dois procedimentos principais: o cálculo da confiabilidade das alterações entre a avaliação
pré e a avaliação pós-intervenção, expostas em termos de um Índice de Mudança Confiável
(IMC) e a análise do significado clínico dessas alterações (Mata et al., 2018).
3.7. Resultados
Os resultados a seguir são relativos a intervenção proposta e apresentam a comparação
dos grupos comparação e experimental. Observa-se na Tabela 1, a diferença entre o GC e o GE
antes e depois da intervenção. O teste de Mann-Whitney indicou que o GC e o GE se
diferenciaram quanto ao CDI e Ansiedade de Separação e apresentaram diferenças quanto ao
Autocontrole/Civilidade e Assertividade.
Tabela 1
Médias, Desvio Padrão e Mann-Whitney Antes (Tempo 1) e Depois (Tempo 2) da Intervenção
Tempo 1
Tempo 2
Variáveis
Grupo
Comparação
Grupo
Experimental
Mann-
Whitney
Grupo
Experimental
Mann-
Whitney
M
DP
M
DP
M
DP
M
DP
CDI
0,42
0,36
0,75
0,43
W =
32,00, p
= 0,039,
rrb = -
0,515
0,64
0,58
0,53
0,44
W =
71,00, p
= 0,781,
rrb =
0,076
Ansiedade de
Separação
0,89
0,45
1,53
0,41
W =
18,00, p
= 0,003,
rrb = -
0,727
1,56
1,82
1,29
0,54
W =
56,00, p
= 0,557,
rrb = -
0,152
Fobias
1,15
0,57
1,13
0,79
W =
68,00, p
= 0,926,
rrb =
0,030
1,15
0,57
1,13
0,79
W =
68,00, p
= 0,926,
rrb =
0,030
Ansiedade
Generalizada
1,33
0,76
1,44
0,68
W =
59,50, p
= 0,710,
rrb = -
0,098
1,20
0,38
1,08
0,68
W =
79,50, p
= 0,419,
rrb =
0,205
Ataque de Pânico
0,68
0,41
0,71
0,76
W =
71,50, p
= 0,757,
rrb =
0,083
0,68
0,41
0,71
0,76
W =
71,50, p
= 0,757,
rrb =
0,083
280
Medo de Danos
Físicos
1,13
0,70
1,03
0,54
W =
70,00, p
= 0,829,
rrb =
0,061
1,27
0,77
1,20
0,57
W =
68,50, p
= 0,901,
rrb =
0,038
Fillers
1,70
0,78
1,93
1,12
W =
60,50, p
= 0,758,
rrb = -
0,083
1,70
0,78
1,93
1,12
W =
60,50, p
= 0,758,
rrb = -
0,083
Problemas
Obsessivos
Compulsivos
1,64
0,56
0,99
0,54
W =
80,50, p
= 0,385,
rrb =
0,220
1,64
1,48
0,99
0,54
W =
80,50, p
= 0,385,
rrb =
0,220
Empatía
1,53
0,56
1,32
0,37
W =
94,50, p
= 0,077,
rrb =
0,0,432
1,31
0,51
2,15
1,65
W =
51,50, p
= 0,383,
rrb = -
0,220
Responsabilidade
1,47
0,40
1,25
0,39
W =
83,50, p
= 0,212,
rrb =
0,311
1,35
0,49
1,30
0,37
W =
72,50, p
= 0,706,
rrb =
0,095
Autocontrole
1,00
0,36
0,85
0,31
W =
81,50, p
= 0,351,
rrb =
0,235
0,80
0,39
1,32
0,55
W =
26,50, p
= 0,016,
rrb = -
0,598
Assertividade
1,02
0,44
0,85
0,45
W =
80,00, p
= 0,397,
rrb =
0,212
0,68
0,36
1,15
0,57
W =
31,00, p
= 0,029,
rrb = -
0,530
O teste de Wilcoxon pareado indicou que houve algumas diferenças significativas nos
construtos antes e depois da intervenção (Tabela 2). Os participantes do GC apresentaram
diferenças significativas para Autocontrole/Civilidade e para Assertividade. Em relação ao GE,
observa-se uma diferença significativa entre antes e depois para o CDI e para
Autocontrole/Civilidade.
281
Tabela 2
Teste de Wilcoxon antes e depois da Intervenção para Grupos Comparação e Experimental
Grupo
Comparação
Grupo
Experimental
Tempo 1
Tempo 2
Tempo 1
Tempo 2
Variáveis
M
DP
M
DP
Wilcoxon
M
DP
M
DP
Wilcoxon
CDI
0,4
2
0,3
6
0,6
4
0,5
8
W = 12,00, p =
0,126, rrb = -
0,564
0,7
5
0,4
3
0,5
3
0,4
4
W = 56,00, p =
0,045, rrb =
0,697
Ansiedade de
Separação
0,8
9
0,4
5
1,5
6
1,8
2
W = 9,50, p =
0,262, rrb = -
0,472
1,5
3
0,4
1
1,2
9
0,5
4
W = 35,5, p =
0,128, rrb =
0,578
Fobias
1,1
5
0,5
7
1,1
5
0,5
7
-
1,1
3
0,7
9
1,1
3
0,7
9
-
Ansiedade
Generalizada
1,3
3
0,7
6
1,2
0
0,3
8
W = 23,50, p =
0,483, rrb =
0,306
1,4
4
0,6
8
1,0
8
0,6
8
W = 56,5, p =
0,182, rrb =
0,449
Ataque de
Pânico
0,6
8
0,4
1
0,6
8
0,4
1
-
0,7
1
0,7
6
0,7
1
0,7
6
-
Medo de
Danos Físicos
1,1
3
0,7
0
1,2
7
0,7
7
W = 3,00, p =
0,140, rrb = -
0,714
1,0
3
0,5
4
1,2
0
0,5
7
W = 7,50, p =
0,159, rrb = -
0,583
Fillers
1,7
0
0,7
8
1,7
0
0,7
8
-
1,9
3
1,1
2
1,9
3
1,1
2
-
Problemas
Obsessivos
Compulsivos
1,6
4
0,5
6
1,6
4
1,4
8
-
0,9
9
0,5
4
0,9
9
0,5
4
-
Empatía
1,5
3
0,5
6
1,3
1
0,5
1
W = 28,00, p =
0,179, rrb = 0,55
1,3
2
0,3
7
2,1
5
1,6
5
W = 17,00, p =
0,09, rrb = -0,564
Responsabilid
ade
1,4
7
0,4
0
1,3
5
0,4
9
W = 19,00, p =
0,444, rrb =
0,357
1,2
5
0,3
9
1,3
0
0,3
7
W = 21,50, p =
0,953, rrb = -
0,044
Autocontrole
1,0
0
0,3
6
0,8
0
0,3
9
W = 21,00, p =
0,035, rrb = 1,00
0,8
5
0,3
1
1,3
2
0,5
5
W = 6,50, p =
0,037, rrb = -
0,764
Assertividade
1,0
2
0,4
4
0,6
8
0,3
6
W = 21,00, p =
0,021, rrb = 1,00
0,8
5
0,4
5
1,1
5
0,5
7
W = 15,50, p =
0,126, rrb = -
0,530
Com relação as diferenças individuais (Tabela 3), pode-se observar que no GC, cinco
crianças (45,45%) obtiveram mudanças negativas nos fatores Empatia/Afetividade, enquanto
seis crianças (54,54%) não obtiveram mudanças. No fator Responsabilidade, quatro crianças
(36,36%) tiveram alterações e sete (63,63%) não obtiveram nenhuma. No fator Autocontrole,
seis crianças (54,54%) apresentaram mudanças negativas e cinco (45,45%) não tiveram
282
nenhuma mudança. E no fator Assertividade, sete crianças (63,63%) tiveram mudanças,
enquanto quatro (36,36%) não obtiveram mudanças.
Tabela 3
Análise Método JT para avaliar a significância Clínica dos Participantes do Grupo
Comparação
ID
Empatia
Responsabilidade
Autocontrole
Assertividade
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
1
1,6
0,8
-4,66-
2,00
0,80
-8,19-
0,50
0,00
-4,25-
1,25
0,75
-3,60-
2
1,6
1,6
0,00
1,60
1,60
0,00
0,50
0,50
0,00
0,75
0,75
0,00
3
1,6
1,6
0,00
2,00
1,80
-1,36
1,00
0,83
-1,42
0,75
0,50
-1,80
4
1,6
0,8
-4,66-
1,40
1,40
0,00
0,67
0,67
0,00
0,50
0,50
0,00
5
2,0
1,8
-1,17
1,00
0,60
-2,73-
1,67
1,00
-5,67-
1,50
0,75
-5,40-
6
1,6
1,8
1,17
1,20
1,20
0,00
1,00
1,00
0,00
0,75
0,75
0,00
7
1,6
1,6
0,00
1,80
1,80
0,00
1,17
1,17
0,00
0,50
0,50
0,00
8
1,2
1,4
1,17
1,20
1,40
1,36
1,17
1,00
-1,42
1,50
0,75
-5,40-
9
0,0
0,2
1,17
0,80
0,60
-1,36
0,83
0,33
-4,25-
0,75
0,00
-5,40-
10
2,0
1,2
-4,66-
1,80
2,00
1,36
1,17
1,00
-1,42
1,75
1,50
-1,80
11
2,0
1,6
-2,33-
1,40
1,60
1,36
1,33
1,33
0,00
1,25
0,75
-3,60-
Nota. - = Mudança Clinicamente Negativa; + = Mudança Clinicamente Positiva.
No GE (Tabela 4), duas crianças (16,16%) aumentaram os índices no fator
Empatia/Responsabilidade, três crianças (25%) diminuíram e seis (50%) não obtiveram
mudanças. No fator Responsabilidade, três crianças (25%) aumentaram, uma (8,33%)
deteriorou o resultado e sete crianças (58,33%) não obtiveram mudanças. No fator
Autocontrole, sete crianças (58,33%) aumentaram, duas (16,16%) diminuíram e três (25%) não
obtiveram mudanças. Para o fator Assertividade, cinco crianças (41,66%) aumentaram, duas
diminuíram (16,16%) e cinco (41,66%) não obtiveram mudanças.
Tabela 4
Análise Método JT para avaliar a significância Clínica dos Participantes do Grupo
Intervenção
ID
Empatia
Responsabilidade
Autocontrole
Assertividade
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
M1
M2
IMC
1
1,00
6,00
12,71+
1,20
1,20
0,00
0,67
1,33
4,21+
1,25
1,75
3,03+
2
1,00
1,20
0,51
1,80
1,60
-1,70
0,83
1,33
3,15+
0,00
0,25
1,52
3
1,80
1,20
-1,53
1,60
1,40
-1,70
1,00
1,67
4,21+
1,00
2,00
6,07+
4
1,60
5,20
9,15+
1,00
0,80
-1,70
1,33
1,33
0,00
1,25
1,00
-1,52
5
1,20
1,40
0,51
0,80
1,60
6,80+
0,67
1,17
3,15+
0,5
0,75
1,52
6
1,00
1,20
0,51
1,60
0,60
-8,50-
0,67
0,33
-2,10-
1,00
0,50
-3,03
7
1,40
2,00
1,53
1,60
1,40
-1,70
0,33
2,50
13,67+
1,00
2,00
6,07+
8
0,60
1,00
1,02
0,80
0,80
0,00
1,17
0,67
-3,15-
1,50
1,00
-3,03-
9
1,40
1,60
0,51
1,20
1,60
3,40+
0,83
1,50
4,21+
1,25
1,25
0,00
283
10
1,40
2,00
1,53
1,60
1,60
0,00
0,50
1,67
7,36+
0,50
1,00
3,03+
11
1,60
1,40
-0,51
0,60
1,60
8,50+
0,83
0,83
0,00
0,50
0,75
1,52
12
1,80
1,60
-0,51
1,20
1,40
1,70
1,33
1,50
1,05
0,50
1,50
6,07+
Nota. - = Mudança Clinicamente Negativa; + = Mudança Clinicamente Positiva.
3.8. Discussão
O objetivo deste estudo foi avaliar se um THS pode levar à aquisição de habilidades
sociais e a diminuição dos índices de ansiedade e depressão das crianças do Ensino
Fundamental. Os participantes do GE apresentaram maiores ganhos, com uma melhora clínica
positiva, nos fatores Empatia/Afetividade, Responsabilidade e Autocontrole em relação aos
participantes do GC. Tal achado mostra que o THS possibilitou a aquisição de habilidades
sociais, podendo ser uma das evidências para demonstrar a efetividade da intervenção e os
ganhos individuais. Com a melhora na comunicação dos sentimentos e a diminuição dos índices
de depressão. Acredita-se que o estudo contribuiu na promoção de saúde mental das crianças.
Tal conjectura mostra a necessidade de mais programas semelhantes no ambiente
escolar, por ser este um local de fácil acesso das crianças e suas famílias. Nardi et al. (2017)
reforçam essa ideia ao afirmar que as ações em prevenção e promoção de saúde mental,
especialmente na infância, têm ganhado força com o aperfeiçoamento dos estudos em
adoecimento mental. Para as autoras, programas que permitem treinamento em contexto grupal,
com sessões de manejo de emoções desagradáveis, favorecem resultados positivos que
contribuem para um desenvolvimento saudável da criança. Partindo desse caminho, é possível
supor que as atividades do THS, planejadas com psicoeducação e participação ativa, podem ter
contribuído nessa melhora. Com o aumento do repertório de HS acredita-se aumentar a
qualidade de vida da criança. As estimativas sobre a prevalência de transtornos mentais na
infância giram em torno de 10 a 20% no mundo (Kieling et al., 2011). Portanto, o presente
estudo, que gerou benefícios individuais para seus participantes e por isso tem sua importância
justificada, pode ser considerado relevante. Ainda que seus resultados na comparação de grupos
possam parecer tímidos, nos resultados do Método JT, identificou o quanto individualmente as
crianças foram beneficiadas.
A análise dos dados sugere que os grupos mostraram diferenças antes da intervenção e
por isso, talvez, o impacto esperado não tenha sido tão grande no GE. Ainda assim houve
melhoras. Nesse sentido, observa-se o que Merry et al. (2004) relataram ao constatarem que
apenas intervenções psicológicas direcionadas alcançaram reduções significativas na depressão
284
pós-intervenção e Rapee et al. (2009) encontraram efeitos pequenos, mas significativos, para
um programa de prevenção da ansiedade, com efeitos mais fortes para crianças do que para
adolescentes. No estudo de Elias e Amaral (2016), os estudantes submetidos ao THS
apresentaram melhoras em relação aos problemas de comportamento, podendo-se inferir que a
intervenção em habilidades sociais pode ser uma alternativa real para as ações de prevenção.
O teste de Mann-Whitney indicou que o GC e o GE se diferenciaram quanto ao CDI e
Ansiedade de Separação, apresentando diferenças quanto ao Autocontrole/Civilidade e
Assertividade. A revisão de Neil e Christensen (2009) indicou a eficácia para programas
universais e direcionados de prevenção de ansiedade nas escolas. Diferenças em níveis de
depressão em grupos de intervenção com crianças foram encontradas por Nardi et al. (2017)
quando afirmou que o programa de intervenção pode ter auxiliado a diminuição dos índices dos
sintomas de depressão na população clínica estudada. Souza et al. (2019) desenvolveram uma
pesquisa que objetivou promover as habilidades sociais de estudantes do Ensino Fundamental
em um modelo psicoeducativo. Nele, buscaram identificar os efeitos de um THS nas
habilidades sociais, problemas de comportamento e no desempenho acadêmico de crianças do
quinto ano do Ensino Fundamental com idades de 10 a 13 anos. Após as 10 sessões de
treinamento, os resultados revelaram ganhos positivos para a maioria dos alunos participantes
da intervenção e escores superiores do grupo de intervenção. Tal achado corrobora com este
estudo, uma vez que no GE crianças foram beneficiadas com ganhos positivos nos fatores de
habilidades sociais.
O teste de Wilcoxon pareado indicou que houve dissimetria nos construtos antes e
depois da intervenção, sendo que no GE, observou-se uma diferença no CDI e no
Autocontrole/Civilidade, indicando melhoras. Ferreira (2016), apontou em seu estudo, que
evidências de redução na média da variável depressão no grupo intervenção entre pré-teste e
pós-teste, apoiando o que foi encontrado de maneira similar no presente estudo. Tal resultado
indica que apesar do THS ter sido construído de maneira universal, sem considerar
especificidades que podem existir em sintomatologias específicas, os dados sugerem que a
intervenção pode ter auxiliado na aquisição de habilidades sociais nessa amostra, diminuindo
os índices de depressão.
Num primeiro momento, a percepção que se poderia ter indicaria que a intervenção não
surtiu um efeito robusto, uma vez que os dados se mostraram tímidos em alguns fatores. No
285
entanto, as diferenças individuais apontaram melhoras. O estudo de Stallard et al. (2015) pode
ajudar a levantar hipóteses para uma possível razão entre resultados esperados e resultados
encontrados. Em seu estudo, foi desenvolvido um THS em sala de aula nas escolas primárias
do Reino Unido com o objetivo de investigar a eficácia clínica e o custo-efetividade de um
programa de intervenção que trouxesse alterações nos índices de ansiedade e humor deprimido
em crianças. Os resultados mostraram evidências limitadas para apoiar o fornecimento
universal de programas específicos de intervenção nos índices de ansiedade e depressão,
apontando para a necessidade de se observar as especificidades de cada grupo onde os THS
possam ser realizados. Acredita-se, portanto, que os grupos por se apresentarem de forma
heterogênea e sem possibilidade de divisão numa maneira mais adequada aos interesses da
pesquisa, considerando as especificidades das crianças da amostra, pode ter tido seus resultados
enviesados.
Em contrapartida, ao se observar as diferenças individuais por meio do Método JT, os
ganhos foram expressivos. Conforme análise dos dados apresentados, o presente estudo
corroborou em parte as hipóteses iniciais, indicando que os participantes do GE apresentaram
maiores ganhos, com uma melhora clínica positiva, nos fatores Empatia/Afetividade,
Responsabilidade e Autocontrole em relação aos participantes do GC. Tal achado pode ser uma
das evidências para demonstrar a efetividade da intervenção e os ganhos individuais. De
maneira particular, pode-se observar que o participante um teve os maiores benefícios da
intervenção e somente os participantes seis e oito não tiveram scores que pudessem caracterizar
a efetividade do THS. Souza et al. (2018) explicam que o Método JT é um meio de análise de
dados adequado para avaliar efetividade das intervenções em Psicologia, uma vez que pode
evidenciar o impacto desta para os participantes, a despeito do tamanho da amostra. Jacobson
e Truax (1991) argumentam que a presença de diferença nas médias de um participante pode
impactar no resultado do teste de comparação de médias.
4. CONCLUSÃO
O presente estudo desejou contribuir com o que se tem estudado sobre o assunto, tendo
por objetivo avaliar se um THS pode levar à aquisição de habilidades sociais e a diminuição
dos índices de ansiedade e depressão das crianças do Ensino Fundamental. Os dados apontaram
que o THS foi efetivo para aumentar as habilidades sociais das crianças do GE quando foram
feitas as análises individuais, mostrando também que haviam diferenças entre os grupos antes
286
e depois da intervenção com possíveis situações que podem ter atravessado o resultado
esperado. Os ganhos individuais atendem ao objetivo de promoção de saúde em escola, uma
vez que para algumas crianças da amostra o programa reduziu sintomas de depressão, como
também contribuiu para novos questionamentos sobre suas próprias emoções.
Acredita-se que o presente estudo traz sua contribuição no sentido de reforçar os ganhos
individuais que crianças podem ter ao participarem de um THS. Escolas e demais ambientes
sociais onde as crianças convivem podem oferecer essa possibilidade com vistas a promover
melhores condições de acesso a programas que visam saúde mental. A melhora nos índices de
depressão abre caminho para futuras intervenções com crianças e dessa forma, o estudo
favorece o avanço das pesquisas sobre a relevância do THS para a população infantil e para o
ambiente escolar.
Algumas limitações encontradas referem-se a dificuldade na montagem dos grupos que
precisou seguir o interesse da escola, considerando a adesão dos pais e o rodízio que estava
ocorrendo por conta das limitações sociais impostas pela pandemia no momento da coleta de
dados. Encontrou-se, ainda, uma dificuldade com algumas crianças que, apesar da idade estar
dentro do que foi estabelecido para a amostra e devidamente matriculadas nas séries
selecionadas, não estavam completamente alfabetizadas. Essa situação gerou atrasos nas
atividades programadas, pois um cuidado maior precisou acontecer a fim de que conseguissem
acompanhar as atividades propostas para as sessões. Outra limitação foi a questão das férias
escolares que não estavam previstas, mas que precisaram ser respeitadas por conta da mudança
no calendário escolar. Essa situação não planejada aconteceu na quinta sessão, interrompendo
o THS. No retorno, três semanas depois, foi dada a continuidade a partir da sexta sessão. Esse
intervalo trouxe prejuízos ao andamento da coleta, facilitou a perda de crianças da amostra que
precisaram ser retiradas por conta da frequência e esse espaço de tempo pode ter interferido
significativamente nos resultados.
Perspectivas se abrem para novos estudos no sentido de desenvolver programas futuros
de intervenção que incluam também as avaliações feitas por pais e professores das crianças
antes e depois da intervenção. Sugere-se a realização de estudos com um follow-up em três e
seis meses após o treinamento, visando identificar se as mudanças que ocorreram no GE e as
mudanças individuais permanecem ao longo do tempo. Sugere-se investigações semelhantes
com amostras maiores, tendo por objetivo avaliar as mesmas atividades preparadas para esse
287
THS, a fim de observar se os resultados encontrados no presente estudo são semelhantes ou se
mudam. No caso de permanecerem, considerar se alteração no tamanho de efeito. Estudos
com um delineamento qualitativo também poderiam ser realizados na tentativa de avaliar
diferentes resultados por meio do discurso das crianças, dos familiares e dos professores
envolvidos no THS. Outra possibilidade para estudos futuros seria identificar quais classes de
habilidades sociais funcionariam como fatores de proteção aos transtornos de ansiedade e
depressão e no caso de deficitárias, se poderiam ser consideradas como fatores de risco. Dessa
maneira, o THS seria direcionado a partir daquelas que, em teoria, funcionariam como fatores
protetores a uma saúde mental saudável.
5. REFERÊNCIAS
American Psychiatric Association [APA] (2014). Manual Diagnóstico y Estadístico de los
Trastornos Mentales [Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders] DSM-5.
Madrid: Panamericana.
Antoniutti, C. B. P., Lima, C. M.; Heinen, M., & Oliveira, M. S. (2019). Protocolos
psicoterapêuticos para tratamento de ansiedade e depressão na infância. Revista Brasileira de
Terapias Cognitivas, 15(1), 10-18. doi:10.5935/1808-5687.20190004
Assis, S. G., Avanci, J. Q., Pesce, R. P., & Ximenes, L. F. (2009). Situação de crianças e
adolescentes brasileiros em relação à saúde mental e à violência. Ciência & Saúde Coletiva,
14(2), 349-361. doi:10.1590/S1413-81232009000200002
Bahls, S. C. (2002). Aspectos clínicos da depressão em crianças e adolescentes. Jornal de
Pediatria, 78(5), 359-66. doi:10.1590/S0021-75572002000500004
Bennett, N., & Blankenship, A. P. (2020). Behavioral problems in children. In L. T. Benuto, F.
R. Gonzalez, & J. Singer (Eds.), Handbook of cultural factors in behavioral health: A guide for
the helping professional (pp. 419-430). Cham, Switzerland: Springer
https://www.researchgate.net/publication/342048179_Behavioral_problems_in_children
Caballo, V. E. (2003). Técnicas de avaliação das habilidades sociais. In V. E. Caballo (Eds.),
Manual de avaliação e treinamento das habilidades sociais (pp. 113-180). São Paulo: Santos.
288
Calderaro, R. S. S., & Carvalho, C. V. (2005). Depressão na infância: Um estudo exploratório.
Psicologia em Estudo, 10(2), 181-189. https://www.scielo.br/pdf/pe/v10n2/v10n2a04.pdf
Clark, D. A., & Beck A. T. (2012). Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade. Porto
Alegre, RS: Artmed.
Del Prette, Z. A. P., & Del Prette, A. (2008). Significância Clínica e Mudança Confiável na
Avaliação de Intervenções Psicológicas. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(4), 497-505.
https://www.scielo.br/j/ptp/a/TSfzbdFGkPfyQn5Kk6N35hK/?format=pdf&lang=pt
Del Prette, Z. A. P., & Del Prette, A. (2013). Psicologia das habilidades sociais na infância:
teoria e prática. 6ª edição. Petrópolis, RJ: Vozes.
Del Prette, A. (2018). Competência Social e habilidades sociais; manual teórico e prático.
Petrópolis, RJ: Vozes.
DeSousa, D. A., Petersen, C. S., Behs, R., Manfro, G. G., & Koller, S. H. (2012). Brazilian
Portuguese version of the Spence Children's Anxiety Scale (SCAS-Brasil). Trends in
Psychiatry and Psychotherapy, 34(3), 147-153. doi:10.1590/S2237-60892012000300006
Dumas, J. E. (2011). Transtornos de ansiedade - Psicopatologia da infância e adolescência.
Porto Alegre, RS: Artmed.
Elias, L. C. S., & Amaral, V. M. (2016). Habilidades sociais, comportamentos e desempenho
acadêmico em escolares antes e após a intervenção. Psico-USF, 21(1), 4961.
doi:10.1590/1413-82712016210105
Feitosa, F. B. (2014). A depressão pela perspectiva biopsicossocial e a função protetora das
habilidades sociais. Psicologia: Ciência e Profissão, 34(2), 488-499. doi:10.1590/1982-
3703000992013
Ferreira, I. M. F. (2016). Análise de uma intervenção de promoção de saúde com crianças.
[Dissertação de Mestrado]. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São
Paulo, Ribeirão Preto. doi:10.11606/D.59.2018
289
Freitas, L. C., Porfírio, J. C. C., & Buarque, C. N. L. (2018). Indicadores de ansiedade social
infantil e suas relações com habilidades sociais e problemas de comportamento. Psicologia e
Pesquisa, 12(2),1-10. doi:10.24879/2018001200200207
Friedberg, R., & McClure, J. M. (2019). A prática clínica da terapia cognitiva com crianças e
adolescentes. Porto Alegre, RS: Artmed.
González, V. G., Zurita, F. O., Ubago, J. L., & Puertas-Molero, P. (2019). Use of Meditation
and Cognitive Behavioral Therapies for the Treatment of Stress, Depression and Anxiety in
Students. A Systematic Review and Meta-Analysis. International Journal of Environmental
Research and Public Health, 16(22), 1-23, Article 4394. doi:10.3390/ijerph16224394
Jacobson, N. S., & Truax, P. (1991). Clinical significance: A statistical approach to defining
meaningful change in psychotherapy research. Journal of Consulting and Clinical Psychology,
59, 12-19. doi:10.1037/0022-006X.59.1.12
Kieling, C., Baker-Henningham, H., Belfer, M., Conti, G., Ertem, I., Omigbodun, O., & Srinath,
S. (2011). Child and adolescent mental health worldwide: Evidence for action. Lancet,
378(9801), 1515-1525. doi:10.1016/S0140-6736(11) 60827-1
Lima, C. de A., Soares, A. B., & Souza, M. S. de. (2019). Treinamento de habilidades sociais
para universitários em situações consideradas difíceis no contexto acadêmico. Psicologia
Clínica, 31(1), 95-121. doi:10.33208/PC1980-5438v0031n01A05
Maia, F. A., Soares, A. B., & Leme, V. B. R. (2019). Relações Interpessoais em alunos na
transição para o 6ºano do Ensino Fundamental. Perspectivas em Psicologia 16(1), 1-13.
http://rpsico.mdp.edu.ar/handle/123456789/1106
Mata, L. R. F. P., Bernardes, M. F. V. G., Azevedo, C., Chianca, T. C. M., Pereira, M. G., &
Carvalho, E. C. (2018). Método Jacobson e Truax: avaliação da efetividade clínica de um
programa de ensino para cuidado domiciliar pós prostatectomia. Revista Latino-Americana de
Enfermagem, 26, e3003. doi:10.1590/1518-8345.2249.3003
Merry, S. N., Hetrik, S. E., Cox, G. R., Burdevold-Iversen, T., Bir, J. J., & McDowell H. (2011).
Psychological and educational interventions for preventing depression in children and
290
adolescents. Cocharne Database Systematic Reviews, 7(12), CD003380.
doi:10.1002/14651858.CD003380.pub3
Michelson, L., Sugai, D. P., Wood, R. P., & Kazdin, A. E. (2013). Social skills assessment and
training with children: An empirically based handbook. New York: Springer Science &
Business Media.
Nardi, P. C., Ferreira, I. M. F., & Neufeld, C. B (2017). Resultados preliminares do Programa
PRHAVIDA em crianças com escores clínicos de ansiedade, depressão e estresse. Contextos
Clínicos, 10(1),74-84. doi:10.4013/ctc.2017.101.06
Neil, A. L., & Christensen, H. (2009). Efficacy and effectiveness of school-based prevention
and early intervention programs for anxiety. Clinical Psychology Review, 29(3), 208215.
doi:10.1016/j.cpr.2009.01.002
Polanczyk, G. V., Salum, G. A., Sugaya, L. S., Caye, A., & Rohde, L. A. (2015). Annual
Research Review: A meta‐analysis of the worldwide prevalence of mental disorders in children
and adolescents. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 56(3), 345-365.
doi:10.1111/jcpp.12381
Rapee, R. M., Schniering, C. A., & Hudson, J. L. (2009). Anxiety disorders during childhood
and adolescence: origins and treatment. Annual Review of Clinical Psychology, (5), 311341.
doi:10.1146/annurev.clinpsy.032408.153628
Rapee, R. M. (2015). Nature and psychological management of anxiety disorders in youth.
Journal of Pediatrics and Child Health, 51(3), 280-284. doi:10.1111/jpc.12856
Segrin C. (2000). Social skills deficits associated with depression. Clinical Psychology Review,
20(3), 379403. doi:10.1016/s0272-7358(98)00104-4
Souza, M. S., Soares, A. B., & Freitas, C. P. P. (2018). Efeitos de um Treinamento de
Habilidades Sociais no Comportamento e Desempenho Acadêmico. Revista Avaliação
Psicológica, 17(4), 417-427. doi:10.15689/ap.2018.1704.2.02
291
Souza, M. S., Soares, A. B., & Freitas, C. P. P. (2019). Social Skills Training (SST) for students
facing social vulnerability. Psicologia: Teoria e Prática, 21(3), 159-181. doi:10.5935/1980-
6906/psicologia. v21n3p159-181
Stallard, P., Skryabina, E., Taylor, G., Anderson, R., Ukoumunne, O. C., Daniels, H., Phillips,
R., & Simpson, N. (2015). A cluster randomised controlled trial comparing the effectiveness
and cost-effectiveness of a school-based cognitivebehavioural therapy programme
(FRIENDS) in the reduction of anxiety and improvement in mood in children aged 9/10 years.
NIHR Journals Library, 21(53), 1-162. doi:10.3310/phr03140
World Health Organization. (2016). WHO Child and Adolescent Mental Health. Improving the
mental and brain health of children and adolescents.
http://www.who.int/mental_health/maternal-child/child_adolescent/en/